Meditação de hoje (28/01/13) Mc 3, 22-30:
Naquele tempo, 22os mestres da Lei, que tinham vindo de
Jerusalém, diziam que ele estava possuído por Beelzebul, e que pelo
príncipe dos demônios ele expulsava os demônios.
23Então Jesus os chamou e falou-lhes em parábolas: “Como é que Satanás pode expulsar a Satanás? 24Se um reino se divide contra si mesmo ele não poderá manter-se. 25Se uma família se divide contra si mesma, não poderá manter-se. 26Assim, se Satanás se levanta contra si mesmo e se divide, não poderá sobreviver, mas será destruído. 27Ninguém pode entrar na casa de um homem forte para roubar seus bens, sem antes o amarrar. Só depois poderá saquear sua casa.
28Em verdade vos digo: tudo será perdoado aos homens, tanto os pecados, como qualquer blasfêmia que tiverem dito. 29Mas quem blasfemar contra o Espírito Santo, nunca será perdoado, mas será culpado de um pecado eterno”. 30Jesus falou isso, porque diziam: “Ele está possuído por um espírito mau”.
_________________________________
Comentário:
Gostaria hoje de fazer notar duas coisas no discurso de Jesus: Primeiro o discurso da comunhão de Jesus. O princípio é simples: toda estrutura que queira se manter não pode criar divisões interiores. Nem os que praticam o mal, desunidos, conseguem alcançar suas metas! Diante disso penso na necessidade da manutenção da comunhão em nossas instituições mais importantes. Primeiro na família, célula fundamental de toda vida social. Pensem o quanto é importante a comunhão familiar para o bem das pessoas que a ela pertencem, bem como para a sociedade de uma forma geral. Infelizmente, em vista da liberdade pessoal, a defesa da estrutura familiar vem sendo cada vez mais reduzida, seja no âmbito legal, quanto no afetivo. Não digo que devemos manter um relacionamento a qualquer custo, mas nenhum relacionamento verdadeiro se consolida sem sacrifícios! Vejo muita gente desistindo do matrimônio e da família antes mesmo de tentar resolver e consolidar o que se tem. Isso é triste. Nisso coloco também minha solidariedade a todos os que vêem suas famílias desestruturadas, mas se sacrificam por continuar sustentando o que restou, muitas vezes sacrificando satisfações pessoais em vista do bem dos outros. Olho também para nossas comunidades e movimentos católicos quando penso nesse texto. A diversidade de carismas e dons e um dos mais belos sinais da Igreja e do Espírito. Contudo, lamento quando espiritualidades ou linhas de pensamento tentam se impor em detrimento de outras experiências que por mais que diferentes são tão válidas quanto elas mesmas. Saber respeitar o que é diferente, mas bom (porque não temos que compactuar com nada que é errado) é sinal de maturidade e liberdade na vida cristã. A diversidade não fere a comunhão, pelo contrário a enriquece! Muita gente confunde comunhão com igualdade e uniformidade, o que não é verdadeiro. Paulo mesmo dizia que há diversos carismas, mas o espírito é o mesmo. Trabalhar pela comunhão é tão importante quanto esforçar-se pela santidade pessoal, até porque a vida cristã é essencialmente comunitária. Um santo precisa inspirar santidade a sua volta! Lembrem-se também que distinção é diferente de divisão. Podemos ser perfeitamente diferentes e unidos, até complementares, ou podemos ser muito parecidos e divididos. Pensar da mesma forma nem sempre garante a comunhão, o segredo é aprender a pensar juntos e eleger juntos o percurso, mesmo que no caminho discordemos, chegar no final a um denominador comum bom pra todos é o que importa. Desafiante, mas necessário, viver a comunhão!
Depois gostaria de considerar o pecado dos mestres da lei. O pecado deles me parece de obstinação hipócrita, pois diante do bem evidente são capazes de distocê-lo em mal. Dizer que a obra libertadora de Jesus e realizada por Belzebu e atentar contra a veracidade comprovada. Os que são obstinados em negar a salvação vão perdê-la. Deus não perdoará esse indivíduo, porque não há arrependimento em seu coração. Está tão obstinado em sua própria malícia que é incapaz de mudar, mesmo que o fatos se mostrem contrários a sua opinião. Os mestre da lei queriam acusar Jesus de qualquer forma, tanto que acharam um modo de acusá-lo até do bem que fazia! Tenho medo dos obstinados tanto quanto aprendi a amar os ponderados. Que Deus nos conceda a graça de não nos fecharmos em definitivo em nossas posições a ponto de não nos corrigirmos diante de nossos erros. Que amemos mais a verdade do que nossa posição e que sejamos humildes a ponto de acolher o que se apresenta maior do que nós, que saibamos acolhe o bem que vem do Espírito de Deus.
Paz!
Nenhum comentário:
Postar um comentário