quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

A paternidade espiritual de D. Bosco.

Das Cartas de São João Bosco, presbítero
(Epistolario, Torino 1959, 4,201-203)
 (Séc.XIX)

Sempre trabalhei com amor
Antes de mais nada, se queremos ser amigos do verdadeiro bem de nossos alunos e
levá-los ao cumprimento de seus deveres, é indispensável jamais vos esquecerdes de
que representais os pais desta querida juventude. Ela foi sempre o terno objeto dos meus trabalhos, dos meus estudos e do meu ministério sacerdotal; não apenas meu, mas da cara congregação salesiana.

Quantas vezes, meus filhinhos, no decurso de toda a minha vida, tive de me convencer
desta grande verdade! É mais fácil encolerizar-se do que ter paciência, ameaçar uma
criança do que persuadi-la. Direi mesmo que é mais cômodo, para nosa impaciência e
nossa soberba, castigar os que resistem do que corrigi-los, suportando-os com firmeza e suavidade.

Tomai cuidado para que ninguém vos julgue dominados por um ímpeto de violenta
indignação. É muito difícil, quando se castiga, conservar aquela calma tão necessária
para afastar qualquer dúvida de que agimos para demonstrar a nossa autoridade ou
descarregar o próprio mau humor. Consideremos como nossos filhos aqueles sobre os quais exercemos certo poder. Ponhamo-nos a seu serviço, assim como Jesus, que veio para obedecer e não para dar ordens; envergonhemo-nos de tudo o que nos possa dar aparência de dominadores; e se algum domínio exercemos sobre eles, é para melhor servirmos.

Assim procedia Jesus com seus apóstolos; tolerava-os na sua ignorância e rudeza, e até
mesmo na sua pouca fidelidade. A afeição e a familiaridade com que tratava os
pecadores eram tais que em alguns causava espanto, em outros escândalo, mas em
muitos infundia a esperança de receber o perdão de Deus. Por isso nos ordenou que
aprendêssemos dele a ser mansos e humildes de coração.

Uma vez que são nossos filhos, afastemos toda cólera quando devemos corrigir-lhes as
faltas ou, pelo menos, a moderemos de tal modo que pareça totalmente dominada.

Nada de agitação de ânimo, nada de desprezo no olhar, nada de injúrias nos lábios;
então sereis verdadeiros pais e conseguireis uma verdadeira correção.

Em determinados momentos muito graves, vale mais uma recomendação a Deus, um
ato de humildade perante ele, do que uma tempestade de palavras que só fazem mal a
quem as ouve e não têm proveito algum para quem as merece.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

A Palavra foi lançada, que tipo de terreno encontrará?

Evangelho do dia 30/01/13 (Mc 4, 1-20):

Naquele tempo, 1Jesus começou a ensinar de novo às margens do mar da Galileia. Uma multidão muito grande se reuniu em volta dele, de modo que Jesus entrou numa barca e se sentou, enquanto a multidão permanecia junto às margens, na praia.
2Jesus ensinava-lhes muitas coisas em parábolas. E, em seu ensinamento, dizia-lhes: 3“Escu­tai! O semeador saiu a semear. 4Enquanto semeava, uma parte da semente caiu à beira do caminho; vieram os pássaros e a comeram. 5Outra parte caiu em terreno pedregoso, onde não havia muita terra; brotou logo, porque a terra não era profunda, 6mas, quando saiu o sol, ela foi queimada; e, como não tinha raiz, secou. 7Outra parte caiu no meio dos espinhos; os espinhos cresceram, a sufocaram, e ela não deu fruto.
8Outra parte caiu em terra boa e deu fruto, que foi crescendo e aumentando, chegando a render trinta, sessenta e até cem por um”. 9E Jesus dizia: “Quem tem ouvidos para ouvir, ouça”. 10Quando ficou sozinho, os que estavam com ele, junto com os Doze, perguntaram sobre as parábolas. 11Jesus lhes disse: “A vós, foi dado o mistério do Reino de Deus; para os que estão fora, tudo acontece em parábolas, 12para que olhem mas não enxerguem, escutem mas não compreendam, para que não se convertam e não sejam perdoados”.
13E lhes disse: “Vós não com­preendeis esta parábola? Então, como compreendereis todas as outras parábolas? 14O semeador semeia a Palavra. 15Os que estão na beira do caminho são aqueles nos quais a Palavra foi semeada; logo que a escutam, chega Satanás e tira a Palavra que neles foi semeada. 16Do mesmo modo, os que receberam a semente em terreno pedregoso, são aqueles que ouvem a Palavra e logo a recebem com alegria, 17mas não têm raiz em si mesmos, são inconstantes; quando chega uma tribulação ou perseguição, por causa da Palavra, logo desistem.
18Outros recebem a semente entre os espinhos: são aqueles que ouvem a Palavra; 19mas quando surgem as preocupações do mundo, a ilusão da riqueza e todos os outros desejos, sufocam a Palavra, e ela não produz fruto. 20Por fim, aqueles que recebem a semente em terreno bom são os que ouvem a Palavra, a recebem e dão fruto; um dá trinta, outro sessenta e outro cem por um.”
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Breve comentário:
Muito se pode dizer da Parábola do Semador, mas gostaria de me deter brevemente sobre uma das realidades citadas por Jesus. É a da semente caída entre espinhos, pois no meu entender corresponde ao perigo que cerca os cristãos de hoje, sobretudo os fracos na fé. Eles até escutam a Palavra, mas AS PREOCUPAÇÕES DO MUNDO, A ILUSÃO DA RIQUEZA e os DESEJOS sufocam a Palavra recebida. Deveríamos meditar mais sobre isso... Muita gente hoje está ocupada demais com os problemas da vida para ser cristão. Melhor dizendo, ocupamos o nosso tempo de tal forma que nem vivemos, somos simplesmente levados pela sucessão de compromissos e responsabilidades que anulam nossa liberdade ou discernimento. Reagimos ao que vai sendo proposto a nós a cada minuto, sem nos darmos conta do verdadeiro protagonismo que deveríamos assumir na nossa vida. Nesse caminho tudo se torna um peso, porque tudo é uma tarefa a ser executada por alguém que nunca tem tempo. Até a diversão perde o seu sabor... Será que não deveríamos desacelerar o ritmo para nos percebermos nesse processo e escutarmos melhor o que Deus de fato nos propõe?

Algo bem enraizado na nossa sociedade como proposta de felicidade é a ILUSÃO DA RIQUEZA. Impressionante como o diabo conseguiu distorcer o sentido de felicidade e como iludiu as pessoas na idéia de que o dinheiro é capaz de sanar as nossas frustrações. Parece que com dinheiro podemos comprar tudo! Sinceramente na fórmula de felicidade de todos existe sempre o fator estabilidade financeira e sucesso profissional como chave. Não digo que essas coisas não são boas, mas não sou ingênuo a ponto atribuir a elas um valor que elas não tem. O perigo aqui é de se colocar a confiança mais nessas coisas que em Deus! Muitas pessoas se sentem mais seguras no poder e nas riquezas do que na vontade do Senhor. E isso é uma grande ilusão! Um Salmo que costumamos rezar diz o seguinte: "Lá se vai o homem rico e poderoso, é semelhante ao gado gordo que se abate!" Jesus nos manda adquirir um tesouro no céu, tesouros espirituais, pois a matéria a traça corrói. Devemos buscar a manutenção de nossas famílias e isso é justo, mas devemos buscar a ponto de colocar isso acima da Palavra de Deus?

Depois, Jesus fala dos nossos DESEJOS... Penso que aqui a luta consiste em colocar o bem verdadeiro acima do que queremos. Digo verdadeiro porque muitas vezes disfarçamos de bem o que queremos só para justificar a busca. Num mundo relativista e consumista como o nosso, os nossos desejos são estimulados de uma forma quase irresistível. Parece que se não realizarmos nossos desejos não seremos felizes. Mas nem tudo o que desejamos é verdadeiro ou de fato bom, não é verdade? Nosso desejo pode ser tornar nosso cárcere, pode nos levar ao vício e a negação de nossa própria dignidade. Conformar nossos desejos ao bem é fazer com que eles se tornem correspondentes ao querer de Deus. Quando meus desejos são só meus (fora da vontade de Deus), eles sufocam a Palavra. Jesus nos adverte para tomarmos cuidado com eles... Existe um equilíbrio entre o Bem que precisamos e os desejos que temos? Nos deixamos levar pelos nossos desejos ou conseguimos ter sempre presente a noção do bem maior?

Fato é que a Palavra é sempre lançada, como uma semente, para todos e em todos. Epero que ela encontre em nós terra fértil e que os espinhos de nossa vida não a sufoquem, pois dali brota a vida eterna!

Paz!

Crescer na confiança na Graça!

Dos Sermões sobre o Cântico dos Cânticos, de São Bernardo, abade

(Sermo 61,3-5: Opera omnia2,150-151)          (Séc.XII)

Onde abundou o delito, superabundou a graça
Onde encontrar repouso tranqüilo e firme segurança para os fracos, a não ser nas chagas do Salvador? Ali permaneço tanto mais seguro, quanto mais poderoso é ele para salvar. O mundo agita, o corpo dificulta, o demônio arma ciladas; não caio, porque estou
fundado sobre rocha firme. Pequei e pequei muito; a consciência abala-se, mas não se
perturba, pois me lembro das chagas do Senhor. Ele foi ferido por causa de nossas
iniqüidades. Que pecado tão mortal que a morte de Cristo não apague? Se vier à mente
tão poderoso e eficaz remédio, não haverá mal que possa aterrorizar.

Por isso, muito errou quem disse: Tão grande é o meu pecado que não merece perdão.
Mostra com isso não ser membro de Cristo nem lhe interessar o mérito de Cristo, por
apoiar-se no próprio merecimento, declarar coisa sua o que pertence a outro,como
acontece com um membro em relação à cabeça.

Quanto a mim, vou buscar o que me falta confiadamente nas entranhas do Senhor, tão
cheias de misericórdia, que não lhe faltam fendas por onde se derrame. Cavaram suas
mãos e seus pés, traspassaram seu lado; por estas fendas é-me permitido sugar o mel da pedra, o óleo do rochedo duríssimo, quero dizer, provar e ver quão suave é o Senhor.

Ele alimentava pensamentos de paz e eu não sabia. Pois quem conheceu o pensamento
do Senhor? ou quem foi seu conselheiro? Mas o cravo que penetra tornou-se-me a
chave que abre a fim de ver a vontade do Senhor. Que verei através das fendas? Clama
o cravo, clama a chaga que Deus está em Cristo reconciliando o mundo consigo. A
espada atravessou sua alma e tocou seu coração; é-lhe agora impossível deixar de
compadecer-se de minhas misérias.

Abre-se o íntimo do coração pelas chagas do corpo, abre-se o magno sacramento da
piedade, abrem-se as entranhas de misericórdia de nosso Deus que induziram o
Oriente, vindo do alto a visitar-nos. Qual o íntimo que se revela pelas chagas? Como
poderia brilhar de modo mais claro do que em vossas chagas, que vós, Senhor, sois
suave e manso e de imensa misericórdia? Maior compaixão não há do que entregar sua
vida por réus de morte e condenados.

Em vista disso, meu mérito é a misericórdia do Senhor. Nunca me faltam méritos
enquanto não lhe faltar a comiseração. Se forem numerosas as misericórdias do Senhor,
eu muitos méritos terei. Que acontecerá se me torno bem consciente dos meus muitos
pecados? Onde abundou o delito, superabundou a graça. E se as misericórdias de Deus
são de sempre e para sempre, também eu cantarei eternamente as misericórdias do
Senhor. Acaso é minha a justiça? Senhor, lembrar-me-ei unicamente de vossa justiça.
Vossa, sim, e minha; porque vós vos fizestes para mim justiça de Deus.

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Quem é minha mãe, quem são meus irmãos? A verdadeira família de Jesus tem laços espirituais...

Evangelho do dia 29/01/13 (Mc 3, 31-35):

Naquele tempo, 31chegaram a mãe de Jesus e seus irmãos. Eles ficaram do lado de fora e mandaram chamá-lo. 32Havia uma multidão sentada ao redor dele. Então lhe disseram: “Tua mãe e teus irmãos estão lá fora à tua procura”.
33Ele respondeu: “Quem é minha mãe, e quem são meus irmãos?” 34E olhando para os que estavam sentados ao seu redor, disse: “Aqui estão minha mãe e meus irmãos. 35Quem faz a vontade de Deus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe”.
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Breve comentário:

Me alegra saber que a condição para fazer parte da família de Jesus não é o vínculo biológico. Os laços com a Família Divina são muito mais profundos do que a correspondência genética, eles se baseiam em realidades espirituais. Não se trata de comunhão de carne, mas de espírito, de entendimento, de vida! A família de Cristo é composta por aqueles que estão em comunhão com Deus, que aderiram a sua Vontade perfeitíssima em suas vidas. E a Vontade de Deus é que nos amemos uns aos outros a exemplo do Cristo! Quer fazer parte da Família de Deus? Aprenda o que é o amor-doação de si!

Deus nos reconhece pelo modo como vivemos... Jesus sabe quem é da sua família, pois as ações revelam o amor. Hoje Jesus não despreza sua família de sangue, mas amplia a percepção da comunhão familiar. Todos podem se tornar família em Deus, por isso nos ensinou a todos a chamar o Senhor de Pai! Pai de todos! Pai nosso! Obrigado Senhor, por nos fazer tua família!

Paz!

Que podemos retribuir ao Senhor? São Basílio Magno nos faz meditar...

Da Regra mais longa, de São Basílio Magno, bispo

(Resp. 2,2-4:PG31,914-915)          (Séc.IV)

Que retribuiremos ao Senhor por tudo quanto nos deu?

Que palavra poderá verdadeiramente descrever os dons de Deus? São tantos que não se podem enumerar. São de tal grandeza que um só deles bastaria para merecer toda a
nossa gratidão para com o Doador. Há um que a nós, seres racionais e inteligentes, seria
forçosamente impossível esquecê-lo, e pelo qual jamais o louvaríamos condignamente:
Deus criou o homem à sua imagem e semelhança. Honrou-o, assim, com a reflexão. Só
a ele, dentre todas as criaturas, deu a razão. Concedeu-lhe o gozo da indizível beleza do
paraíso e o constituiu rei de toda a terra. Enganado o homem pela serpente, caído no
pecado e pelo pecado na morte e nos sofrimentos que a acompanham, nem por isto Deus
o abandonou; mas pela lei, que lhe serviria de auxílio no princípio, colocou anjos para
guardá-lo e dele cuidar. Enviou profetas para denunciarem os vícios e ensinarem a
virtude. Susteve por ameaças o ímpeto do mal, e estimulou por promessas a prontidão
para o bem. Não poucas vezes, declarou antecipadamente, em relação a várias pessoas,
qual o fim dos bons e o dos maus a fim de advertir os outros. A tantos benefícios,
porém, respondemos com a nossa rebeldia. Ele, contudo, não se afastou de nós.

A bondade do Senhor não nos abandonou. Nem mesmo pela estupidez com que
desprezamos seus dons conseguimos destruir seu amor em nós, embora desdenhássemos nosso benfeitor. Ao contrário, fomos libertos da morte e chamados de novo à vida por nosso Senhor Jesus Cristo. Maior motivo ainda de admiração por tanta bondade vem de que: Sendo ele de condição divina não se prevaleceu de sua igualdade com Deus, mas aniquilou-se a si mesmo assumindo a forma de escravo.

E não só, mas tomou sobre si nossas misérias, carregou nossas fraquezas, por nós foi
ferido para curar-nos por suas chagas; e ainda, redimiu-nos da maldição, fazendo-se
por nós maldição, sofrendo morte infamíssima para nos reconduzir à vida gloriosa.Não
se contentou em chamar os mortos à vida, quis ainda conceder-nos a glória de sua
divindade e preparar-nos um descanso eterno cuja imensa alegria supera qualquer
imaginação.

O que, então, retribuiremos ao Senhor por tudo quanto nos deu? Ele é tão bom que não
cobra remuneração, mas se satisfaz com ser amado em vista de seus dons. Quando
penso em tudo isto, para dizer o que sinto, fico horrorizado e cheio de espanto, pois, por minha leviandade e preocupação com coisas vãs,posso perder o amor de Deus e ser
uma vergonha e um opróbrio para Cristo.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Deus nos livre de ser obstinados em nossas próprias opiniões!

Meditação de hoje (28/01/13) Mc 3, 22-30:

Naquele tempo, 22os mestres da Lei, que tinham vindo de Jerusalém, diziam que ele estava possuído por Beelzebul, e que pelo príncipe dos demônios ele expulsava os demônios.
23Então Jesus os chamou e falou-lhes em parábolas: “Como é que Satanás pode expulsar a Satanás? 24Se um reino se divide contra si mesmo ele não poderá manter-se. 25Se uma família se divide contra si mesma, não poderá manter-se. 26Assim, se Satanás se levanta contra si mesmo e se divide, não poderá sobreviver, mas será destruído. 27Ninguém pode entrar na casa de um homem forte para roubar seus bens, sem antes o amarrar. Só depois poderá saquear sua casa.
28Em verdade vos digo: tudo será perdoado aos homens, tanto os pecados, como qualquer blasfêmia que tiverem dito. 29Mas quem blasfemar contra o Espírito Santo, nunca será perdoado, mas será culpado de um pecado eterno”. 30Jesus falou isso, porque diziam: “Ele está possuído por um espírito mau”.
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Comentário:
Gostaria hoje de fazer notar duas coisas no discurso de Jesus: Primeiro o discurso da comunhão de Jesus. O princípio é simples: toda estrutura que queira se manter não pode criar divisões interiores. Nem os que praticam o mal, desunidos, conseguem alcançar suas metas! Diante disso penso na necessidade da manutenção da comunhão em nossas instituições mais importantes. Primeiro na família, célula fundamental de toda vida social. Pensem o quanto é importante a comunhão familiar para o bem das pessoas que a ela pertencem, bem como para a sociedade de uma forma geral. Infelizmente, em vista da liberdade pessoal, a defesa da estrutura familiar vem sendo cada vez mais reduzida, seja no âmbito legal, quanto no afetivo. Não digo que devemos manter um relacionamento a qualquer custo, mas nenhum relacionamento verdadeiro se consolida sem sacrifícios! Vejo muita gente desistindo do matrimônio e da família antes mesmo de tentar resolver e consolidar o que se tem. Isso é triste. Nisso coloco também minha solidariedade a todos os que vêem suas famílias desestruturadas, mas se sacrificam por continuar sustentando o que restou, muitas vezes sacrificando satisfações pessoais em vista do bem dos outros. Olho também para nossas comunidades e movimentos católicos quando penso nesse texto. A diversidade de carismas e dons e um dos mais belos sinais da Igreja e do Espírito. Contudo, lamento quando espiritualidades ou linhas de pensamento tentam se impor em detrimento de outras experiências que por mais que diferentes são tão válidas quanto elas mesmas. Saber respeitar o que é diferente, mas bom (porque não temos que compactuar com nada que é errado) é sinal de maturidade e liberdade na vida cristã. A diversidade não fere a comunhão, pelo contrário a enriquece! Muita gente confunde comunhão com igualdade e uniformidade, o que não é verdadeiro. Paulo mesmo dizia que há diversos carismas, mas o espírito é o mesmo. Trabalhar pela comunhão é tão importante quanto esforçar-se pela santidade pessoal, até porque a vida cristã é essencialmente comunitária. Um santo precisa inspirar santidade a sua volta! Lembrem-se também que distinção é diferente de divisão. Podemos ser perfeitamente diferentes e unidos, até complementares, ou podemos ser muito parecidos e divididos. Pensar da mesma forma nem sempre garante a comunhão, o segredo é aprender a pensar juntos e eleger juntos o percurso, mesmo que no caminho discordemos, chegar no final a um denominador comum bom pra todos é o que importa. Desafiante, mas necessário, viver a comunhão!

Depois gostaria de considerar o pecado dos mestres da lei. O pecado deles me parece de obstinação hipócrita, pois diante do bem evidente são capazes de distocê-lo em mal. Dizer que a obra libertadora de Jesus e realizada por Belzebu e atentar contra a veracidade comprovada. Os que são obstinados em negar a salvação vão perdê-la. Deus não perdoará esse indivíduo, porque não há arrependimento em seu coração. Está tão obstinado em sua própria malícia que é incapaz de mudar, mesmo que o fatos se mostrem contrários a sua opinião. Os mestre da lei queriam acusar Jesus de qualquer forma, tanto que acharam um modo de acusá-lo até do bem que fazia! Tenho medo dos obstinados tanto quanto aprendi a amar os ponderados. Que Deus nos conceda a graça de não nos fecharmos em definitivo em nossas posições a ponto de não nos corrigirmos diante de nossos erros. Que amemos mais a verdade do que nossa posição e que sejamos humildes a ponto de acolher o que se apresenta maior do que nós, que saibamos acolhe o bem que vem do Espírito de Deus.

Paz!

Na Cruz não falta nenhum exemplo de virtude!

Das Conferências de Santo Tomás de Aquino, presbítero
 (Colatio 6 super Credo in Deum)
 (Séc.XIII)

Na cruz não falta nenhum exemplo de virtude
Que necessidade havia para que o Filho de Deus sofresse por nós? Uma necessidade
grande e, por assim dizer, dupla: para ser remédio contra o pecado e para exemplo do
que devemos praticar.

Foi em primeiro lugar um remédio, porque na paixão de Cristo encontramos remédio
contra todos os males que nos sobrevêm por causa dos nossos pecados.

Mas não é menor a utilidade em relação ao exemplo. Na verdade, a paixão de Cristo é
suficiente para orientar nossa vida inteira. Quem quiser viver na perfeição, nada mais
tema fazer do que desprezar aquilo que Cristo desprezou na cruz e desejar o que ele
desejou. Na cruz, pois, não falta nenhum exemplo de virtude.

Se procuras um exemplo de caridade: Ninguém tem amor maior do que aquele que dá
sua vida pelos amigos (Jo 15,13). Assim fez Cristo na cruz. E se ele deu sua vida por
nós, não devemos considerar penoso qualquer mal que tenhamos de sofrer por causa
dele.

Se procuras um exemplo de paciência, encontras na cruz o mais excelente! Podemos
reconhecer uma grande paciência em duas circunstâncias: quando alguém suporta com
serenidade grandes sofrimentos, ou quando pode evitar os sofrimentos e não os evita.
Ora, Cristo suportou na cruz grandes sofrimentos, e com grande serenidade, porque
atormentado, não ameaçava (1Pd 2,23); foi levado como ovelha ao matadouro e não
abriu a boca (cf. Is 53,7; At 8,32).

É grande, portanto, a paciência de Cristo na cruz. Corramos com paciência ao combate
que nos é proposto, com os olhos fixos em Jesus, que em nós começa e completa a obra
da fé. Em vista da alegria que lhe foi proposta, suportou a cruz, não se importando com
a infâmia (cf. Hb 12,1-2).

Se procuras um exemplo de humildade, contempla o crucificado: Deus quis ser julgado
sob Pôncio Pilatos e morrer.

Se procuras um exemplo de obediência, segue aquele que se fez obediente ao Pai até à
morte: Como pela desobediência de um só homem, isto é, de Adão, a humanidade toda
foi estabelecida numa condição de pecado, assim também pela obediência de um só,
toda a humanidade passará para uma situação de justiça (Rm 5,19).

Se procuras um exemplo de desprezo pelas coisas da terra, segue aquele que é Rei dos
reis e Senhor dos senhores, no qual estão encerrados todos os tesouros da sabedoria e
da ciência (Cl 2,3), e que na cruz está despojado de suas vestes, escarnecido, cuspido,
espancado, coroado de espinhos e, por fim, tendo vinagre e fel como bebida para matar
a sede.

Não te preocupes com as vestes e riquezas, porque repartiram entre si as minhas vestes (Jo 19,24); nem com honras, porque fui ultrajado e flagelado; nem com a dignidade,porque tecendo uma coroa de espinhos, puseram-na em minha cabeça (cf. Mc 15,17); nem com os prazeres, porque em minha sede ofereceram-me vinagre (Sl 68,22).

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Meditação de hoje: Conversão de São Paulo.

25 de Janeiro, Conversão de São Paulo:

Hoje na primeira leitura da missa, Paulo narra a sua conversão. Vamos ler e meditar sobre seu testemunho:

At 22, 3-16:
Naqueles dias, Paulo disse ao povo: 3”Eu sou judeu, nascido em Tarso da Cilícia, mas fui criado aqui nesta cidade. Como discípulo de Gamaliel, fui instruído em todo o rigor da Lei de nossos antepassados, tornando-me zeloso da causa de Deus, como acontece hoje convosco. 4Persegui até à morte os que seguiam este Caminho, prendendo homens e mulheres e jogando-os na prisão. 5Disso são minhas testemunhas o Sumo Sacerdote e todo o conselho dos anciãos. Eles deram-me cartas de recomendação para os irmãos de Damasco. Fui para lá, a fim de prender todos os que encontrasse e trazê-los para Jerusalém, a fim de serem castigados. 6Ora, aconteceu que, na viagem, estando já perto de Damasco, pelo meio dia, de repente uma grande luz que vinha do céu brilhou ao redor de mim. 7Caí por terra e ouvi uma voz que me dizia: ‘Saulo, Saulo, por que me persegues?’ 8Eu perguntei: ‘Quem és tu, Senhor?’ Ele me respondeu: ‘Eu sou Jesus, o Nazareno, a quem tu estás perseguindo’. 9Meus companheiros viram a luz, mas não ouviram a voz que me falava. 10Então perguntei: ‘Que devo fazer, Senhor?’ O Senhor me respondeu: ‘Levanta-te e vai para Damasco. Ali te explicarão tudo o que deves fazer’. 11Como eu não podia enxergar, por causa do brilho daquela luz, cheguei a Damasco guiado pela mão dos meus companheiros. 12Um certo Ananias, homem piedoso e fiel à Lei, com boa reputação junto de todos os judeus que aí moravam, 13veio encontrar-me e disse: ‘Saulo, meu irmão, recupera a vista!’ No mesmo instante, recuperei a vista e pude vê-lo. 14Ele, então, me disse: ‘O Deus de nossos antepassados escolheu-te para conheceres a sua vontade, veres o Justo e ouvires a sua própria voz. 15Porque tu serás a sua testemunha diante de todos os homens, daquilo que viste e ouviste. 16E agora, o que estás esperando? Levanta-te, recebe o batismo e purifica-te dos teus pecados, invocando o nome dele!’”

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Fico pensando o quanto seria mais fácil para a nossa conversão se o Senhor fizesse a nós o que fez a Paulo... Como duvidar de sua ressurreição diante da visão iluminada de sua Pessoa? Como não render-se a um poder que nos cega e que nos recupera a vista? Como não anunciar esses fatos extraordinários a outras pessoas? Deus tocou fortemente a vida de Paulo! Tal intervenção mudou o mundo e o fez como o conhecemos hoje. O acontecimento que lembramos hoje moldou o homem que ajudou a moldar o mundo cristão. A força de Paulo deriva da força de Cristo sobre ele! Cristo, num único golpe, conquista Paulo! E Paulo, rendido ao Senhor, conquista o mundo!

Tive o privilégio no ano passado de percorrer alguns dos passos de Paulo no seu trabalho de evangelização. É impressionante como o simples seguimento de seus passos pode ser ainda hoje um forte elemento de evangelização. Fui tocado pelo desafio que ele enfrentou e o exame de consciência foi inevitável. Como ainda preciso aprender a me esforçar para seguir os apóstolos. Ao mesmo tempo que a emoção do percurso me tomava, afinal, são os primeiros lugares do anúncio da fé, me sentia confrontado pelo percurso que o anúncio ainda devia fazer. Quantas estradas o Evangelho ainda não percorreu, quantos lugares perderam sua mensagem no tempo, quantos desafios ainda precisam ser enfrentados para que o mundo creia! Paulo me desafia ainda a fazer como ele!

Hoje, no dia em que celebramos a conversão de São Paulo, precisamos meditar sobre a necessidade de uma nova conversão. Talvez não para o cristianismo, como foi o caso de Paulo, mas para a nova evangelização, para o testemunho mais evidente da fé, para a ousadia do anúncio oportuno e inoportuno! Na verdade penso na necessidade de nos convertermos na generosidade, em vista de dar mais daquilo que de graça recebemos. Quantos sofreram para que o Cristo chegasse aos nossos ouvidos? O milagre que Cristo fez por nós foi maior do que o que fez a Paulo, pois o Cristo moveu milhões de corações durante milênios para que sua Palavra chegasse a nós. Penso que não podemos responder com menos do que Paulo, portanto: Convertei-vos!

Paz!

São João Crisóstomo nos narra hoje o amor de Paulo por Cristo!

Das Homilias de São João Crisóstomo, bispo
(Hom. 2 de laudibus sancti Pauli: PG 50,447-480)
(Séc.IV)

Por amor de Cristo, Paulo tudo suportou
O que é o homem, quão grande é a dignidade da nossa natureza e de quanta virtude é
capaz a criatura humana, Paulo o demonstrou mais do que qualquer outro. Cada dia ele
subia mais alto e se tornava mais ardente, cada dia lutava com energia sempre nova
contra os perigos que o ameaçavam. É o que depreendemos de suas próprias palavras:
Esquecendo o que fica para trás, eu me lanço para o que está na frente (cf. Fl 3,13).
Percebendo a morte iminente, convidava os outros a comungarem da sua alegria,
dizendo: Alegrai-vos e congratulai-vos comigo (Fl 2,18). Diante dos perigos, injúrias e
opróbrios, igualmente se alegra e escreve aos coríntios: Eu me comprazo nas fraquezas,
nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições (2Cor 12,10); porque sendo estas,
conforme declarava, as armas da justiça, mostrava que delas lhe vinha um grande
proveito.

Realmente, no meio das insídias dos inimigos, conquistava contínuas vitórias triunfando
de todos os seus assaltos. E em toda parte, flagelado, coberto de injúrias e maldições,
como se desfilasse num cortejo triunfal, erguendo numerosos troféus, gloriava-se e dava graças a Deus, dizendo: Graças sejam dadas a Deus que nos fez sempre triunfar (2Cor 2,14). Por isso, corria ao encontro das humilhações e das ofensas que suportava por causa da pregação, com mais entusiasmo do que nós quando nos apressamos para
alcançar o prazer das honrarias; aspirava mais pela morte do que nós pela vida; ansiava
mais pela pobreza do que nós pelas riquezas; e desejava muito mais o trabalho sem
descanso do que nós o descanso depois do trabalho. Uma só coisa o amedrontava e fazia
temer: ofender a Deus. E uma única coisa desejava: agradar a Deus.

Só se alegrava no amor de Cristo, que era para ele o maior de todos os bens; com isto
julgava-se o mais feliz dos homens; sem isto, de nada lhe valia ser amigo dos senhores e
poderosos. Com este amor preferia ser o último de todos, isto é, ser contado entre os
réprobos, do que encontrar-se no meio de homens famosos pela consideração e pela
honra, mas privados do amor de Cristo.

Para ele, o maior e único tormento consistia em separar-se de semelhante amor; esta era a sua geena, o seu único castigo, o infinito e intolerável suplício.

Em compensação, gozar do amor de Cristo era para ele a vida, o mundo, o anjo, o
presente, o futuro, o reino, a promessa, enfim, todos os bens. Afora isto, nada tinha por
triste ou alegre. De tudo o que existe no mundo, nada lhe era agradável ou desagradável.

Não se importava com as coisas que admiramos, como se costuma desprezar a erva
apodrecida. Para ele, tanto os tiranos como as multidões enfurecidas eram como
mosquitos.

Considerava como brinquedo de crianças os mil suplícios, os tormentos e a própria
morte, desde que pudesse sofrer alguma coisa por Cristo.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Vinho novo em odres novos!

Evangelho do dia, martírio de Santa Inês (21/01/13):

Naquele tempo, 18os discípulos de João Batista e os fariseus estavam jejuando. Então, vieram dizer a Jesus: “Por que os discípulos de João e os discípulos dos fariseus jejuam, e os teus discípulos não jejuam?”
19Jesus respondeu: “Os convidados de um casamento poderiam, por acaso, fazer jejum, enquanto o noivo está com eles? Enquanto o noivo está com eles, os convidados não podem jejuar. 20Mas vai chegar o tempo em que o noivo será tirado do meio deles; aí, então, eles vão jejuar.
21Ninguém põe um remendo de pano novo numa roupa velha; porque o remendo novo repuxa o pano velho e o rasgão fica maior ainda. 22Ninguém põe vinho novo em odres velhos; porque o vinho novo arrebenta os odres velhos e o vinho e os odres se perdem. Por isso, vinho novo em odres novos”.

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Comentário:

"Vinho novo em odres novos". O Evangelho é de fato novidade! Mesmo que o Antigo Testamento traga consigo toda a promessa de Deus, que esteja carregado de figuras proféticas, a entrada do Verbo de Deus no mundo pela Encarnação será sempre a novidade perene! Uma novidade que exige adequação... Diante desse novo, precisamos renovar também a nossa mentalidade. Os discípulos de João Batista e os fariseus ainda não tinham alcançado essa percepção quando falam do comportamento dos discípulos de Jesus. Jesus usa uma alegoria esponsal para introduzir o tema da novidade. Ele é o Esposo-Deus que se casa com a Esposa-humanidade. Eles estão nas núpcias! Jesus está ali com eles, não pode haver penitência nesse momento. Contudo, Jesus retorna ao Pai e espera o encontro definitivo com sua amada. É nessa espera que a esposa jejuará, como preparação para a vida definitiva. Mas o significado do jejum não será mais o mesmo. Enquanto o antigo jejum era uma tentativa expiatória, o novo jejum já parte do sacrifício da cruz. Enquanto o antigo é súplica, o novo é participação no mistério. Enquanto o antigo se remete ao pecado passado, o novo aponta para esperança futura. Enfim: Vinho novo em odres novos! Que hoje possamos experimentar da novidade de Cristo, com a esperança de que a vida definitiva nos foi garantida pelo seu sacrifício esponsal na cruz. Que possamos entender que o tempo que vivemos é provisório e que a nossa renúncia das alegrias mundanas e dos prazeres momentâneos resulta de uma espera do definitivo em nossas vidas, muito maior do que qualquer alegria passageira, pois consiste na contemplação de Deus! O cristão renuncia o prazer do agora, porque o agora não pode realizá-lo. O cristão procura desde já a plenitude, o cristão procura Deus! O exemplo de S. Inês, virgem e mártir, nos ajuda a compreeender essa realidade...
Paz!

Santo Ambrósio fala do martírio de Santa Inês!

Do Tratado sobre as Virgens, de Santo Ambrósio, bispo
 (Lib. 1, cap. 2.5.7-9:PL 16, [edit. 1845],189-191)
(Séc.IV)

Ainda não preparada para o sofrimento
e já madura para a vitória!
Celebramos o natalício de uma virgem: imitemos sua integridade; é o natalício de uma
mártir: ofereçamos sacrifícios. É o aniversário de Santa Inês. Conta-se que sofreu o
martírio com a idade de doze anos. Quanto mais detestável foi a crueldade que não
poupou sequer tão tenra idade, tanto maior é a força da fé que até naquela idade
encontrou testemunho.

Haveria naquele corpo tão pequeno lugar para uma ferida? Mas aquela que quase não
tinha tamanho para receber o golpe da espada, teve força para vencer a espada. E isto
numa idade em que as meninas não suportam sequer ver o rosto zangado dos pais e
choram como se uma picada de alfinete fosse uma ferida!

Mas ela permaneceu impávida entre as mãos ensangüentadas dos carrascos, imóvel
perante o arrastar estridente dos pesados grilhões. Oferece o corpo à espada do soldado enfurecido, sem saber o que é a morte, mas pronta para ela. Levada à força até os altares dos ídolos, estende as mãos para Cristo no meio do fogo, e nestas chamas sacrílegas mostra o troféu do Senhor vitorioso. Finalmente, tendo que introduzir o pescoço e ambas as mãos nas algemas de fero, nenhum elo era suficientemente apertado para segurar membros tão pequeninos.

Novo gênero de martírio? Ainda não preparada para o sofrimento e já madura para a
vitória! Mal sabia lutar e facilmente triunfa! Dá uma lição de firmeza apesar de tão
pouca idade! Uma recém-casada não se apresaria para o leito nupcial com aquela
alegria com que esta virgem correu para o lugar do suplício, levando a cabeça enfeitada
não de belas tranças mas de Cristo, e coroada não de flores mas de virtudes.

Todos choram, menos ela. Muitos se admiram de vê-la entregar tão generosamente a
vida que ainda não começara a gozar, como se já tivesse vivido plenamente. Todos
ficam espantados que já se levante como testemunha de Deus quem, por causa da idade,
não podia ainda dar testemunho de si. Afinal, aquela que não mereceria crédito se
testemunhasse a respeito de um homem, conseguiu que lhe dessem crédito ao
testemunhar acerca de Deus. Pois o que está acima da natureza, pode fazê-lo o Autor da natureza.

Quantas ameaças não terá feito o carrasco para incutir-lhe terror! Quantas seduções para persuadi-la! Quantas propostas para casar com algum deles! Mas sua resposta foi esta: “É uma injúria ao Esposo esperar por outro que me agrade. Aquele que primeiro me
escolheu para si, esse é que me receberá. Por que demoras, carrasco? Pereça este corpo que pode ser amado por quem não quero!” Ficou de pé, rezou, inclinou a cabeça.

Terias podido ver o carrasco perturbar-se, como se fosse ele o condenado, tremer a mão que desfecharia o golpe, e empalidecerem os rostos temerosos do perigo alheio,
enquanto a menina não temia o próprio perigo. Tendes, pois, numa única vítima um
duplo martírio: o da castidade e o da fé. Inês permaneceu virgem e alcançou o martírio.

domingo, 20 de janeiro de 2013

A concórdia e a unidade na comunhão com o Bispo

Da Carta aos Efésios, de Santo Inácio de Antioquia, bispo e mártir

(Nn.2,2-5,2: Funk 1, 175-177)        (Séc.I)

Na concórdia da unidade
De todos os modos vos convém glorificar a Jesus Cristo que vos glorifica, para que,
perfeitamente unidos na obediência, sujeitos ao bispo e ao presbitério, vos santifiqueis
em tudo.

Não vos dou ordens, como se fosse alguém. Mesmo carregado de cadeias por causa do
nome de Cristo, ainda não sou perfeito em Jesus Cristo. Só agora começo a ser discípulo e vos falo como a condiscípulos. Eu é que deveria ser ungido por vossa fé, exortações, paciência, serenidade. A caridade, porém, não me permite calar a vosso respeito; resolvi por isto adiantar-me e exortar-vos a serdes bem unidos ao pensamento de Deus. Jesus Cristo, nossa vida inseparável, é o pensamento do Pai, da mesma forma como os bispos, em toda a extensão da terra, são o pensamento de Jesus Cristo.

Convém, pois, que vos encontreis com o pensamento do bispo, como aliás já o fazeis.
Na verdade, vosso inesquecível presbitério, digno de Deus, está unido ao bispo como as
cordas à cítara. Deste modo, em vosso consenso e caridade, ressoa Jesus Cristo. Cada
um de vós, igualmente, forme um coro, uníssono na concórdia, recebendo a melodia de
Deus na unidade, para cantardes a uma só voz por Jesus Cristo ao Pai. Este vos ouvirá e
reconhecer-vos-á por vossa atitude como membros de seu Filho. É, na verdade, útil para
vós estar na imaculada unidade,a fim de que participeis sempre de Deus.

Se eu, em tão curto tempo, fiz tão grande amizade, não humana mas espiritual, com
vosso bispo, como vos considero felizes por lhe estardes unidos à semelhança da Igreja
a Jesus Cristo e como Jesus Cristo ao Pai; para que de tudo resulte a unidade! Ninguém
se engane: se alguém não estiver junto do altar, ficará privado do pão de Deus. Se a
oração de um ou dois tem tamanha força, quanto mais a oração do bispo e de toda a
Igreja!

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Santa Margarida da Hungria, rogai por nós!



18 de janeiro

Santa Margarida da Hungria
 
Margarida era uma princesa, filha do rei Bela IV, da Hungria e da rainha Maria, de origem bizantina. Ela nasceu no castelo de Turoc, em 1242, logo foi batizada, pois os reis eram fervorosos cristãos. Aos dez anos, o casal real a entregou para viver e ser preparada para os votos religiosos, no mosteiro dominicano de Vespem, em agradecimento pela libertação da pátria dos Tártaros.

Dois anos depois, fez a profissão de fé de religiosa num novo mosteiro, fundado para ela por seu pai, na Ilha das Lebres, localizada no rio Danúbio, perto de Budapeste. Em 1261, tomou o véu definitivo, entregando seu coração e sua vida a serviço do Senhor, tendo uma particular devoção pela Eucaristia e Paixão de Cristo. Ela realmente, era especial, foi um exemplo de humildade e virtude para as outras religiosas. Rezava sempre, e fazia penitencias, se oferecendo como vítima proposital, para a salvação do seu povo.

Margarida, não desejou ter uma cultura elevada. Sua instrução se limitou ao conhecimento primário da escrita e da leitura, talvez apenas um pouco mais que isto. Ela pedia que lhe lessem as Sagradas Escrituras e confiava sua direção espiritual ao seu confessor, o dominicano Marcelo, que era o superior da Ordem.

Possuía um ilimitado desapego às coisas materiais, amando plenamente a pobreza, o qual unido à sua vida contemplativa espiritual, a elevou a uma tal proximidade de Deus, que recebeu o dom das visões. Ela se tornou uma das grandes místicas medievais da Europa, respeitada e amada pelas comunidades religiosas, pela corte e população. Morreu em 18 de janeiro de 1270, no seu mosteiro.

A sua sepultura se tornou meta de peregrinação, pelas sucessivas graças e milagres atribuídos à sua intercessão. Um ano depois da sua morte, seu irmão, Estevão V, rei da Hungria, encaminhou um pedido de santidade, à Roma. Mas este processo desapareceu, bem como um outro, que foi enviado em 1276. Porém na sua pátria e em outros paises, Margarida já era venerada como Santa.

Depois de muitos desencontros, em 1729 um processo chegou em Roma, completo e contendo dados de autenticidade inquestionável. Neste meio tempo as relíquias de Margarida tinham sido transferidas, por causa da invasão turca, do convento da Ilha das Lebres para o de Presburgo em 1618.

Em 1804, mesmo sem o reconhecimento oficial, seu culto se estendia na Ordem Dominicana e na diocese da Transilvânia. No século XIX, sua festa se expandiu por todas as dioceses húngaras. A canonização de Santa Margarida da Hungria foi concedida pelo papa Pio XII em 1943, em meio ao júbilo dos devotos e fiéis, de todo o mundo, especialmente pelos da comunidade cristã do Leste Europeu, onde sua veneração é muito intensa.

S. Atanásio: A harmonia que vem do Verbo de Deus.

Do Discurso contra os gentios, de Santo Atanásio, bispo.

(Nn.42-43: PG25,83-87)      (Séc.IV)

Todas as coisas compõem pelo Verbo
uma divina harmonia

Nada há absolutamente de quanto existe que não tenha sido feito nele e por ele. O
Teólogo no-lo ensina pelas palavras: No princípio era o Verbo e o Verbo estava junto
de Deus e o Verbo era Deus. Tudo foi feito por ele, e sem ele nada se fez (Jo 1,1).

O musicista, com uma harpa bem afinada, combina artisticamente os sons graves com
os agudos e os médios, de modo a produzir uma só harmonia. Assim também, a
Sabedoria de Deus, empunhando todo o universo como uma harpa, conjuga as coisas
aéreas com as terenas e as celestes com as aéreas, ligando o todo com suas partes.
Assim, dirigindo tudo por um aceno de sua vontade, produz um só universo, um
universo com sua ordem cheia de beleza e de harmonia. Entretanto ele mesmo, Verbo
de Deus, permanece sempre imóvel junto do Pai, enquanto tudo se move dentro da força
da respectiva natureza, segundo o agrado do Pai. Por seu dom, tudo vive e se mantém
conforme sua natureza, compondo assim, por ele, uma admirável harmonia,
verdadeiramente divina. Só por comparação podemos entender uma realidade tão
imensa! Por exemplo: num coro numeroso, com muitos homens, mulheres, crianças,
velhos e adolescentes, sob a direção de um só, todos cantam conforme sua capacidade e
estado, homem como homem, criança como criança, velho como velho, jovem como
jovem.No entanto, todos formam uma só harmonia. Outro exemplo: como nossa alma,
ao mesmo tempo, move nossos sentidos segundo suas propriedades. Na presença de
alguma coisa, todos eles se movimentam: os olhos vêem, os ouvidos escutam, as mãos
tocam, o olfato percebe, o paladar prova e mesmo os outros membros muitas vezes
agem, por exemplo, os pés caminham. Assim acontece nas coisas naturais. Estas são
imagens, embora fraquíssimas, que nos ajudam a perceber as realidades mais altas.

Na verdade, num instante, um só aceno do Verbo de Deus rege todas as coisas ao
mesmo tempo, de forma que cada ser realiza o que lhe é próprio e todos em conjunto
perfazem uma só harmonia

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Eu quero, fica purificado!

Evangelho do dia (17/01/13) Mc 1, 40-45:

Naquele tempo, 40um leproso chegou perto de Jesus, e de joelhos pediu: “Se queres, tens o poder de curar-me”. 41Jesus, cheio de compaixão, estendeu a mão, tocou nele, e disse: “Eu quero: fica curado!” 42No mesmo instante, a lepra desapareceu, e ele ficou curado.
43Então Jesus o mandou logo embora, 44falando com firmeza: “Não contes nada disso a ninguém! Vai, mostra-te ao sacerdote e oferece, pela tua purificação, o que Moisés ordenou, como prova para eles!” 45Ele foi e começou a contar e a divulgar muito o fato. Por isso Jesus não podia mais entrar publicamente numa cidade: ficava fora, em lugares desertos. E de toda parte vinham procurá-lo.


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Comentário:
  Ser leproso na época de Jesus era uma das piores situações de enfermidade. Os leprosos viviam nas cavernas aos arredores da cidade e comiam do que era dado pela caridade dos outros. Carregavam sinos para que as pessoas pudessem se afastar diante da sua presença. Eram considerados imundos. Ser leproso configurava uma morte social completa e uma morte lenta, pois a lepra era doença incurável naquele tempo. Caso um leproso ficasse curado, deveria ser apresentar ao sacerdote para que ele, depois de constatar o fato, o autorizasse a retornar ao convívio social. Vale dizer que um leproso não tem nada a perder, dada a sua situação. Um desses homens se aproxima de Jesus hoje no Evangelho. Esse homem, vencido pela tragédia pessoal, cai de joelhos aos pés de Jesus. Seu gesto é de rendição, de súplica desesperada, mas suas palavras são acertadíssimas! Primeiro chama Jesus de "Senhor". O reconhecimento do Senhorio de Jesus é o ponto de partida. Segundo, ele se submete a vontade de Cristo ao dizer: "se queres"(!). Esse reconhecimento de sua incapacidade de sair de sua condição miserável e a transferência de suas expectativas para o Senhor, manifesta a profundidade do pedido: Eu estou a mercê de sua vontade! Por fim, a afirmação da fé: "tu tens o poder de me purificar"(!). Eis a sabedoria desse sofredor: Ele não é Senhor de nada, mas sabe reconhecer quem de fato o é; ele sabe que é a vontade de Deus que tudo conduz e se submete a ela; ele suplica com fé ao único que pode livrá-lo de sua condição. Acho que o leproso do Evangelho nos ensina muito hoje, não?
  Não poderíamos deixar de falar do movimento de Deus. Primeiro, Jesus não se afasta quando o leproso se aproxima, reação normal das pessoas do seu tempo. Permite ao leproso, mesmo coberto por sua "imundície" (termo usado no tempo de Jesus para os que estavam nessa condição) se aproxime, mas mais que isso: ESTENDE A MÃO E TOCA NELE! Depois, manifesta o seu querer: FICA PURIFICADO! Gesto e palavra acompanham o milagre! E por fim, manifesta o verdadeiro signifcado amoroso do gesto quando pede: "Não digas nada a ninguém". Confesso que um turbilhão de idéias e sentimentos me permeiam quando me coloco diante dessas atitudes. Deus não se afasta de nós, mesmo se estamos impuros! Permite que nos aproximemos sempre. O que fazemos dessa permissão é outra história. Ouve e acolhe sempre o nosso argumento! Apesar de tudo, estende sempre a mão e nos toca! Manifesta seu desejo redentor: EU QUERO! (quase escuto no fundo uma pergunta implícita para mim: e você, quer?) A força de sua palavra realizou, como decreto proclamado e imediatamente executado, aquilo que o encontro entre a fé do leproso e a vontade poderosa de Deus gerou: cura. O segredo pedido por Jesus não é por modéstia ou humildade, mas soa para mim como um: eu não preciso de nada em troca, o que fiz é dom para você. Entendo como expressão de um amor que doa generosamente e não espera retribuição alguma a não ser o bem em si que foi feito a pessoa amada. O homem vai, se apresenta ao sacerdote, e retorna a vida e ao convívio social. Isso basta para Jesus.
  Precisamos paradoxalmente ser como o leproso do Evangelho, permitindo que Deus realize a obra que só Ele pode realizar na nossa vida. Diante da grandeza de Deus o que somos nós? Somos coxos, cegos, leprosos, prisioneiros, mendigos necessitados de sua intervenção. Mas o belo é saber que depois que nos expomos a Ele somos supreendidos, pois na verdade somos filhos, chamados a viver na casa do Pai.
Paz!

Conheça um pouco da vida de Santo Antão através de Santo Atanásio:

Da Vida de Santo Antão, escrita por Santo Atanásio, bispo
(Cap.2-4: PG 26,842-846)
(Séc.IV)

A vocação de Santo Antão
Depois da morte de seus pais, tendo ficado sozinho com uma única irmã ainda pequena,
Antão, que tinha uns dezoito ou vinte anos, tomou conta da casa e da irmã.

Mal haviam passado seis meses desde o falecimento dos pais, indo um dia à igreja,
como de costume, refletia consigo mesmo sobre o motivo que levara os apóstolos a
abandonarem tudo para seguir o Salvador; e por qual razão aqueles homens de que se
fala nos Atos dos Apóstolos vendiam suas propriedades e depositavam o preço aos pés
dos apóstolos para ser distribuído entre os pobres. Ia também pensando na grande e
maravilhosa esperança que lhes estava reservada nos céus. Meditando nestas coisas,
entrou na igreja no exato momento em que se lia o evangelho, e ouviu o que o Senhor
disse ao jovem rico: Se tu queres ser perfeito, vai, vende tudo o que tens, dá o dinheiro
aos pobres. Depois vem e segue-me, e terás um tesouro no céu (Mt 19,21).

Antão considerou que a lembrança dos santos exemplos lhe tinha vindo de Deus, e que
aquelas palavras eram dirigidas pessoalmente para ele. Logo que voltou da igreja,
repartiu com os habitantes da aldeia as propriedades que herdara da família (possuía
trezentos campos lavrados, férteis e muito aprazíveis) para que não fossem motivo de
preocupação, nem para si próprio nem para a irmã. Vendeu também todos os móveis e
distribuiu com os pobres a grande quantia que obtivera, reservando apenas uma pequena
parte por causa da irmã.

Entrando outra vez na igreja, ouviu o Senhor dizer no evangelho: Não vos preocupeis
com o dia de amanhã (Mt 6,34). Não podendo mais resistir, até aquele pouco que
restara, deu-o aos pobres. Confiou a irmã a uma comunidade de virgens consagradas
que conhecia e considerava fiéis, para que fosse educada no Mosteiro. Quanto a ele, a
partir de então, entregou-se a uma vida de ascese e rigorosa mortificação, nas
imediações de sua casa.

Trabalhava com as próprias mãos, pois ouvira a palavra da Escritura: Quem não quer
trabalhar, também não deve comer (1Ts 3,10). Com uma parte do que ganhava
comprava o pão que comia; o resto dava aos pobres.

Rezava continuamente, pois aprendera que é preciso rezar a sós sem cessar (1Ts 5,17).
Era tão atento à leitura que nada lhe escapava do que tinha lido na Escritura; retinha
tudo de tal forma que sua memória acabou por se substituir aos livros.

Todos os habitantes da aldeia e os homens honrados que tratavam com ele, vendo um
homem assim, chamavam-no amigo de Deus; uns o amavam como a filho, outros como
a irmão.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Deus se aproxima, estende a mão e nos levanta!

Evangelho do dia 16/01/13 (Mc 1, 29-39):

Naquele tempo, 29Jesus saiu da sinagoga e foi, com Tiago e João, para a casa de Simão e André. 30A sogra de Simão estava de cama, com febre, e eles logo contaram a Jesus. 31E ele se aproximou, segurou sua mão e ajudou-a a levantar-se. Então, a febre desapareceu; e ela começou a servi-los.
32À tarde, depois do pôr do sol, levaram a Jesus todos os doentes e os possuídos pelo demônio. 33A cidade inteira se reuniu em frente da casa. 34Jesus curou muitas pessoas de diversas doenças e expulsou muitos demônios. E não deixava que os demônios falassem, pois sabiam quem ele era.
35De madrugada, quando ainda estava escuro, Jesus se levantou e foi rezar num lugar deserto. 36Simão e seus companheiros foram à procura de Jesus. 37Quando o encontraram, disseram: “Todos estão te procurando”. 38Jesus respondeu: “Vamos a outros lugares, às aldeias da redondeza! Devo pregar também ali, pois foi para isso que eu vim”. 39E andava por toda a Galileia, pregando em suas sinagogas e expulsando os demônios.


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Comentário:
  Gosto no Evangelho de hoje dos movimentos entre Jesus e a sogra de Pedro. Primeiro Jesus se aproxima... Isso para mim fala muito. Um Deus que vem ao encontro e que não permanece indiferente a nós. A aproximação de Jesus sempre é para mim anúncio de que o amor de Deus quer e vai atuar! Gosto de ler os trechos onde Ele toma a iniciativa. Quando Simão e André contaram a ele da enfermidade, Ele se move. Você já percebeu na sua vida essa aproximação? Deus se faz presente na nossa vida numa consolação de um bom amigo, numa palavra de incentivo, num afago da mãe ou num cuidado do pai, na solidariedade dos irmãos ou dos amigos, no bom conselho e de tantas formas naturais e sobrenaturais, que se tomássemos posse dessa verdade, nos sentiríamos continuamente cercados por Deus! Na sequência Jesus "segura a mão e ajuda a levantar" e a enfermidade desaparece. Pense um pouco no movimento, visualize. É a força d'Ele que a coloca de pé! Ela é erguida por Jesus! De modo muito singelo antecipamos resumidamente no que consiste toda a obra de salvação: Deus vem ao encontro do nosso pecado, oferece seu perdão e nos salva. É possível ver na sogra de Pedro toda a humanidade ferida de pecado e resgatada por Jesus! Por fim, podemos olhar a resposta da sogra de Pedro: ela começou a servi-los. Ela é também a figura dos verdadeiros cristãos. Todos os que foram alcançados pela graça do Evangelho de Jesus, em sua resposta amorosa ao que receberam, servem! É belo ver que na Igreja toda autoridade é serviço. Um dos títulos dados ao Papa é Servus Servorum Dei, quer dizer, Servo dos Servos de Deus. Podemos dizer sem medo que o cristão tem na verdade do seu ser o serviço. É também no serviço desinteressado que o amor se mostra na vida concreta. O cristão ama a Deus servindo o seu irmão.
  Que hoje possamos, então, possamos crescer no nosso chamado de cristãos através do serviço desiteressado aos nossos irmãos, pois todos os que foram alcançados por Jesus procuram sempre serví-lo com alegria!
Paz!