quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Preparando o Natal: Você sabe a data do fim do mundo? Veja o que diz S. Efrém...

Preparando o Natal...
Detalhe do mosaico da Basílica da Transfiguração, no Monte Tabor

Do Comentário sobre o Diatéssaron, de Santo Efrém, diácono
(Cap. 18,15-17; SCh 121,325-328).
(Séc. IV)

Vigiai: Cristo virá de novo
Para impedir que os discípulos o interrogassem sobre o momento de sua vinda, disse-lhes Cristo: Aquela hora ninguém a conhece, nem os anjos nem o Filho. Não vos compete saber o tempo e o momento (cf. Mc 13,32-33). Ocultou-nos isso para que ficássemos vigilantes e cada um de nós pudesse pensar que esse acontecimento se daria durante a nossa vida. Se tivesse revelado o tempo de sua vinda, esta deixaria de ter interesse e não seria mais desejada pelos povos da época em que se manifestará. Ele disse que viria, mas não declarou o momento e por isso as gerações e todos os séculos o esperam ardentemente.
Embora o Senhor tenha dado a conhecer os sinais de sua vinda, não se vê exatamente o último deles, pois numa mudança contínua, esses sinais apareceram e passaram e, por outro lado, ainda perduram. Sua última vinda será igual à primeira.
Os justos e os profetas o desejavam, pensando que se manifestaria em seu tempo; do mesmo modo, cada um dos fiéis de hoje deseja recebê-lo em sua época, pois ele não disse claramente o dia em que viria. E isto sobretudo para ninguém pensar que está submetido a uma determinação e hora, ele que domina os números e os tempos. Como poderia estar oculto àquele que descreveu os sinais de sua vinda, o que ele próprio estabeleceu? O Senhor pôs em relevo esses sinais para que, desde o primeiro dia, os povos de todos os séculos pensassem que ele viria no próprio tempo deles.
Permanecei vigilantes porque, quando o corpo dorme, é a natureza que nos domina e nossa atividade é então dirigida, não por nossa vontade, mas pelos impulsos da natureza. E quando a alma está dominada por um pesado torpor, como por exemplo a pusilanimidade ou a tristeza, é o inimigo que a domina e a conduz, mesmo contra a sua vontade. Os impulsos dominam a natureza e o inimigo domina a alma.
Por isso, o Senhor recomendou ao homem a vigilância tanto da alma como do corpo: ao corpo, para que se liberte da sonolência; e à alma, para que se liberte da indolência e pusilanimidade. Assim diz a Escritura: Vigiai, justos (cf. 1Cor 15,34); e também: Despertei e ainda estou contigo (cf. Sl 138,18); e ainda: Não desanimeis (cf. Jo 16,33). Por isso não desanimamos no exercício do ministério que recebemos (2Cor 4,1).

Evangelho do dia 6 de dezembro: Ouvir e colocar em prática!

Ouvir e colocar em prática!

Evangelho do dia (Mt 7, 21.24-27):

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 21“Nem todo aquele que me diz: ‘Senhor, Senhor’, entrará no Reino dos Céus, mas o que põe em prática a vontade de meu Pai que está nos céus. 24Portanto, quem ouve estas minhas palavras e as põe em prática, é como um homem prudente, que construiu sua casa sobre a rocha. 25Caiu a chuva, vieram as enchentes, os ventos deram contra a casa, mas a casa não caiu, porque estava construída sobre a rocha. 26Por outro lado, quem ouve estas minhas palavras e não as põe em prática, é como um homem sem juízo, que construiu sua casa sobre a areia. 27Caiu a chuva, vieram as enchentes, os ventos sopraram e deram contra a casa, e a casa caiu, e sua ruína foi completa!” _________________________________________

Igreja de pedra do primado de Pedro, beira do mar da Galiléia.

No Evangelho de Hoje, as palavras de Jesus nos colocam diante de uma realidade nem sempre colocada no nosso campo de visão quando falamos da nossa religiosidade. Jesus nos coloca diante da aparência e da realidade. Os que vivem da aparência, são so que dizem "Senhor, Senhor". Me explico: estou falando das pessoas "super religiosas", que carrgem o seu "kit cristão" para todos os lados, mas que na hora de decidir a sua vida segundo a fé, são os primeiros a mostrar a sua falta de conversão. São os rezam seus terços, mas rotulam pessoas; comungam, às vezes diariamente, mas no segredo seguem cultivando seu pecado; que discursam publicamente sobre o Evangelho, mas dão conselhos mundanos aos que confiam na sua pseudo-fé. Estão visilvemente na Igreja, parecem "santões", mas não tem compromisso com o Evangelho. Quem já não ouviu alguns desses dizendo baixinho: a Igreja pensa isso, mas acho que de outra forma é melhor... Estes são os que DIZEM "Senhor, Senhor", mas que por sua duplicidade não entrarão no Reino dos Céus. Portanto, nem todo aquele que está no banco da frente de nossas Igrejas, nem todo aquele que está em destaque em nossa vida eclesial é necessariamente aquele que entrará no Reino. Isso é triste, pois nem sempre o que os nossos olhos vêem corresponde a realidade. Isso não quer dizer que não tenhamos pessoas maravilhosas vivendo a sua fé de forma coerente e santa, ok? Não sejamos pessimistas, mas sim realistas. O ideal seria que o nosso exterior correspondesse ao nosso interior, não é verdade?

Bom, dito isso, Jesus prosegue sua reflexão com os discípulos sobre o OUVIR E COLOCAR EM PRÁTICA, se utilizando da bela alegoria da construção da casa. A vida cristã é como uma construção e o fundamento desta construção é a acolhida da Palavra e a aplicação dela na vida. Simples assim. Muitos escutam e até gostam do que escutam, mas quantos são os que colocam em prática? Hoje Jesus diz que o fundamento da nossa vida está em praticar o que escutamos d'Ele. Mais, Ele diz que quem procede assim é o homem coerente, PRUDENTE, ou seja, que pesou a sua ação segundo os valores evangélicos antes de realizá-la. Não erra quem vive assim! Por isso, esse tipo de pessoa é capaz de lidar com qualquer adversidade que a vida apresenta, pois tem fundamentos para isso. O sem juízo, ou seja, o LOUCO, é o que escuta e não pratica. É louco porque decidiu enfrentar a construção da vida sem fundamentos, baseando-se na conveniência das situações para agir. É claro que diante das dificuldades ele vai cair, pois não está preparado para lidar com elas.

Penso então em que tipo de construtores nós somos... Você está se preocupando com que a sua vida esteja sustentada por fundamentos sólidos? Está preocupado com a coerência entre o interior e o exterior? Digo isso porque vejo todos os dias multidões gritando "Senhor, Senhor" em todos os cantos do planeta, e isso está bem, pois temos realmente que recorrer a Ele em nossas necessidades, mas quantos estão de fato procurando fazer o que Ele diz? Senhor, dai-nos a graça de ouvir a tua Palavra, mas mais que isso, Senhor, dai-nos a fortaleza suficiente para colocá-la em prática!

Paz!

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Você já ouviu falar da vinda intermediária de Jesus?

Já sabemos da primeira vinda do Senhor e conhecemos pelo anúncio que virá uma segunda vez, mas vocês conhecem a vinda intermediária? Na preparação para o Natal vamos refletir com S. Bernardo:

Dos Sermões de São Bernardo, abade
(Sermo 5 in Adventu Domini, 1-3: Opera omnia,
Edit. cisterc. 4 [1966], 188-190)
(Séc. XII)

O Verbo de Deus virá a nós
Conhecemos uma tríplice vinda do Senhor. Entre a primeira e a última há uma vinda intermediária. Aquelas são visíveis, mas esta, não. Na primeira vinda o Senhor apareceu na terra e conviveu com os homens. Foi então, como ele próprio declara, que viram-no e não o quiseram receber. Na última, todo homem verá a salvação de Deus (Lc 3,6) e olharão para aquele que transpassaram (Zc 12,10). A vinda intermediária é oculta e nela somente os eleitos o vêem em si mesmos e recebem a salvação. Na primeira, o Senhor veio na fraqueza da carne; na intermediária, vem espiritualmente, manifestando o poder de sua graça; na última, virá com todo o esplendor da sua glória.
Esta vinda intermediária é, portanto, como um caminho que conduz da primeira à última; na primeira, Cristo foi nossa redenção; na última, aparecerá como nossa vida; na intermediária, é nosso repouso e consolação.
Mas, para que ninguém pense que é pura invenção o que dissemos sobre esta vinda intermediária, ouvi o próprio Senhor: Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e o meu Pai o amará, e nós viremos a ele (cf. Jo 14,23). Lê-se também noutro lugar: Quem teme a Deus, faz o bem (Eclo 15,1). Mas vejo que se diz algo mais sobre o que ama a Deus, porque guardará suas palavras. Onde devem ser guardadas? Sem dúvida alguma no coração, como diz o profeta: Conservei no coração vossas palavras, a fim de que eu não peque contra vós (Sl 118,11).
Guarda, pois, a palavra de Deus, porque são felizes os que a guardam; guarda-a de tal modo que ela entre no mais íntimo de tua alma e penetre em todos os teus sentimentos e costumes. Alimenta-te deste bem e tua alma se deleitará na fartura. Não esqueças de comer o teu pão para que teu coração não desfaleça, mas que tua alma se sacie com este alimento saboroso.
Se assim guardares a palavra de Deus, certamente ela te guardará. Virá a ti o Filho em companhia do Pai, virá o grande Profeta que renovará Jerusalém e fará novas todas as coisas. Graças a essa vinda, como já refletimos a imagem do homem terrestre, assim também refletiremos a imagem do homem celeste (1Cor 15,49). Assim como o primeiro Adão contagiou toda a humanidade e atingiu o homem todo, assim agora é preciso que Cristo seja o senhor do homem todo, porque ele o criou, redimiu e o glorificará.

Evangelho do dia: Tenho compaixão da multidão!

Tenho compaixão da multidão!

Evangelho do dia (Mt 15, 29-37):

Naquele tempo, Jesus foi para as margens do mar da Galileia, subiu a montanha, e sentou-se. Numerosas multidões aproximaram-se dele, levando consigo coxos, aleijados, cegos, mudos, e muitos outros doentes. Então os colocaram aos pés de Jesus. E ele os curou. O povo ficou admirado, quando viu os mudos falando, os aleijados sendo curados, os coxos andando e os cegos enxergando. E glorificaram o Deus de Israel.
Jesus chamou seus discípulos e disse: “Tenho compaixão da multidão, porque já faz três dias que está comigo, e nada tem para comer. Não quero mandá-los embora com fome, para que não desmaiem pelo caminho”.
Os discípulos disseram: “Onde vamos buscar, neste deserto, tantos pães para saciar tão grande multidão?” Jesus perguntou: “Quantos pães tendes?” Eles responderam: “Sete, e alguns peixinhos”. E Jesus mandou que a multidão se sentasse pelo chão. Depois pegou os sete pães e os peixes, deu graças, partiu-os, e os dava aos discípulos, e os discípulos, às multidões. Todos comeram, e ficaram satisfeitos; e encheram sete cestos com os pedaços que sobraram.
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Margens do mar da Galiléia, próximo a Cafarnaum
Precisamos diante do Evangelho de hoje nos deter na compaixão de Jesus. As curas e a multiplicação dos pães brotam da compaixão d'Ele. Mas você sabe o que é compaixão? No latim o verbo "patire" significa sofrer, por isso falamos da Paixão de Cristo quando nos referimos ao seu percurso de sofrimento até a morte de cruz. A compaixão seria um "sofrer com", ou seja, um entrar em relação com o outro de tal forma que se torne possível participar do seu sofrimento solidariamente. Olhando para o texto de hoje podemos ver o quanto é belo o movimento de Jesus: Ele entra na experiência do coxo e participa do seu sofrimento, entra na dos cegos, dos mudos, dos doentes que são trazidos a Ele. Fico imaginado com que profundidade o Homem-Deus pode fazer essa experiência de comunhão... Experimentar o que é a cegueira à partir do cego, a mudez à partir do mudo, a doença à partir do doente. Jesus sofre no sofrimento deles!

Mas a compaixão não consiste só nessa comunhão interpessoal de vida, ela é sentimento que impele àquele que sente a não permanecer indiferente ao outro, impele a dar daquilo que se tem. Por isso todos são curados no Evangelho de hoje, porque a compaixão de Jesus faz com que Ele não permaneça indiferente, faz com que Ele se envolva diretamente no problema, faz com que o Poder Deus se manifeste como cura. Eler quer que os outros sintam o que Ele sente! É um intercâmbio: Enquanto o enfermo comunica sua dor e Jesus participa dela, também o enfermo que vai esperançoso até o Cristo experimenta de sua Pessoa Divina e sai dali modificado, pois o Senhor também é capaz de comunicar quem Ele é. Porque levaram até Ele os seus sofrimentos, receberam d'Ele a graça!

Jesus está tão movido pela compaixão que não a retem para si, mas de alguma forma precisa comunicá-la aos outros e nisso os discípulos tem um papel interessante a desenvolver aqui. A compaixão transborda! Ele a coloca para fora para que os discípulos compreendam: "Tenho compaixão da multidão", diz Jesus! O sentimento de amor de Deus sai do específico do doente diante d'Ele e se estende a toda multidão, mas para que a graça dessa compaixão alcance a todos, Ele quer que os discípulos intervenham. É bonito: "vamos alimentá-los! O que é que vocês têm?", provoca Jesus. Os discípulos assustados respondem que com o que eles têm não dá para atender a todos, mas Jesus atende a todos à partir do que Eles têm. Essa é a maravilha deste texto, pois Deus se utiliza do pouco que temos para multiplicar a sua misericórdia, a sua compaixão. Ele quer alcançar a todos, entender cada dor, suprir cada necessidade com o seu amor, mas deseja que seus discípulos de alguma forma participem desse processo com Ele. Quer que recebamos de sua misericórdia, mas também que sejamos misericordiosos com Ele.

Obrigado Senhor pela tua compaixão, obrigado porque nos chamas a ser compassivos contigo...
Paz!

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Na preparação para o Natal, podemos meditar sobre um maravilhoso intercâmbio!

Dos Sermões de São Gregório de Nazianzo, bispo
(Or. 45,9.22.26.28: PG 36,634.635.654.658-659.662)
(Séc. IV)

Ó admirável intercâmbio!
O próprio Filho de Deus, que existe desde toda a eternidade, o invisível, o incompreensível, incorpóreo, princípio que procede do princípio, a luz nascida da luz, a fonte da vida e da imortalidade, a expressão do arquétipo, divino, o selo inamovível, a imagem perfeita, a palavra e o pensamento do Pai, vem em ajuda da criatura feita à sua imagem, e por amor do homem se faz homem. Para purificar aqueles de quem se tornou semelhante, assume tudo o que é humano, exceto o pecado. Foi concebido por uma Virgem, já santificada pelo Espírito Santo no corpo e na alma, para honrar a maternidade e ao mesmo tempo exaltar a excelência da virgindade; e assumindo a humanidade sem deixar de ser Deus, uniu em si mesmo duas realidades contrárias, a saber, a carne e o espírito. Uma delas conferiu a divindade, a outra recebeu-a.
Aquele que enriquece os outros torna-se pobre. Aceita a pobreza de minha condição humana para que eu possa receber os tesouros de sua divindade. Aquele que possui tudo em plenitude, aniquila-se a si mesmo; despoja-se de sua glória por algum tempo, para que eu participe de sua plenitude.
Quais são essas riquezas da bondade? Qual é esse mistério que me concerne? Recebi a imagem divina mas não soube conservá-la. Ele assumiu a minha condição humana para restaurar a perfeição dessa imagem e dar a imortalidade a esta minha condição mortal. Assim estabelece conosco uma segunda aliança, muito mais admirável que a primeira.
Convinha que a santidade fosse dada ao homem mediante a humanidade assumida por Deus. Convinha que ele triunfasse desse modo sobre o tirano que nos subjugava, para nos restituir a liberdade e reconduzir-nos a si através de seu Filho, nosso Mediador; e Cristo realizou, de fato, esta obra redentora para a glória de seu Pai, que era o objetivo de todas as suas ações.
O bom Pastor, que dá a vida por suas ovelhas, veio ao encontro da que estava perdida, procurando-a pelos montes e colinas onde tu sacrificavas aos ídolos; tendo-a encontrado, tomou-a sobre seus ombros – os mesmos que carregaram a cruz – reconduzindo-a à vida eterna.
Depois daquela tênue lâmpada do Precursor, veio a Luz claríssima de Cristo; depois da voz, veio a Palavra; depois do amigo do esposo, o Esposo. O Senhor veio depois daquele que lhe preparou um povo perfeito, predispondo os homens, por meio da água purificadora, para receberem o batismo do Espírito.
Foi necessário que Deus se fizesse homem e morresse, para que tivéssemos a vida. Morremos com ele para sermos purificados; ressuscitamos com ele porque com ele morremos. Fomos glorificados com ele, porque com ele ressuscitamos.

Quero ser pequenino!

 Quero ser Pequenino!
Evangelho do dia (Lc 10, 21-24):

Naquele momento Jesus exultou no Espírito Santo e disse: “Eu te louvo, Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste essas coisas aos sábios e inteligentes, e as revelaste aos pequeninos. Sim, Pai, porque assim foi do teu agrado. Tudo me foi entregue pelo meu Pai. Ninguém conhece quem é o Filho, a não ser o Pai; e ninguém conhece quem é o Pai, a não ser o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar”. Jesus voltou-se para os discípulos e disse-lhes em particular: “Felizes os olhos que veem o que vós vedes! Pois eu vos digo que muitos profetas e reis quiseram ver o que estais vendo, e não puderam ver; quiseram ouvir o que estais ouvindo, e não puderam ouvir”.
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Caros amigos, diante de Deus precisamos ser pequeninos. Por mais inteligência e capacidade que Ele nos tenha dado, o verdadeiro sábio é sempre um aprendiz, o verdadeiro mestre é sempre um discípulo, porque um só é O Sábio, um só é O Mestre, Ele é O Pastor. Portanto o que hoje ouvimos na exultação de Jesus deve fazer escola no nosso coração e no nosso entendimento: O Senhor louva o Pai porque a Revelação é dada a quem se faz pequeno!

As vezes estamos muito seguros de nossas opiniões, certos de nossos motivos, firmes nas nossas convicções de tal forma que nos tornamos seguros demais para consultar os outros ou a Deus. Essa estrada é perigosa, porque nos leva ao erro mais cedo ou mais tarde. Estou aprendendo que a melhor certeza brota da adesão filial aos designios de Deus, que fala conosco como Pai que ensina seus filhos. Como quero me fazer mais pequenino... Que possa exultar na exultação do Cristo, por me reconhecer entre os que são pequenos o suficiente para acolher a grandeza de Deus.

Paz!

terça-feira, 18 de setembro de 2012

A Coluna da Imaculada Conceição

Próximo à Piazza Spagna está a Coluna da Imaculada Conceição, encomendada pelo Papa Pio IX, por ocasião da proclamação do Dogma da Imaculada Conceição. A Maquete deste projeto se encontra no Museu do claustro da Basílica de São João de Latrão, junto com outros objetos que recordam a proclamação.










Rezemos à Virgem Maria Concebida sem pecado:

Ó Virgem, pela tua bênção é abençoada a criação inteira!
O céu e as estrelas, a terra e os rios, o dia e a noite, e tudo quanto obedece ou serve aos homens, congratulam-se, ó Senhora, porque a beleza perdida foi por ti de certo modo ressuscitada e dotada de uma graça nova e inefável. Todas as coisas pareciam mortas, ao perderem sua dignidade original que é de estar em poder e a serviço dos que louvam a Deus. Para isto é que foram criadas. Estavam oprimidas e desfiguradas pelo mau uso que delas faziam os idólatras, para os quais não haviam sido criadas. Agora, porém, como que ressuscitadas, alegram-se, pois são governadas pelo poder e embelezadas pelo uso dos que louvam a Deus.
Perante esta nova e inestimável graça, todas as coisas exultam de alegria ao sentirem que Deus, seu Criador, não apenas as governa invisivelmente lá do alto, mas também está visivelmente nelas, santificando-as com o uso que delas faz. Tão grandes bens procedem do bendito fruto do sagrado seio da Virgem Maria.
Pela plenitude da tua graça, aqueles que estavam na mansão dos mortos alegram-se, agora libertos; e os que estavam acima do céu rejubilam-se renovados. Com efeito, pelo Filho glorioso de tua gloriosa virgindade todos os justos que morreram antes da sua morte vivificante, exultam pelo fim de seu cativeiro, e os anjos se congratulam pela restauração de sua cidade quase em ruínas.
Ó mulher cheia e mais que cheia de graça, o transbordamento de tua plenitude faz renascer toda criatura! Ó Virgem bendita e mais que bendita, pela tua bênção é abençoada toda a natureza, não só as coisas criadas pelo Criador, mas também o Criador pela criatura!
Deus deu a Maria o seu próprio Filho, único gerado de seu coração, igual a si, a quem amava como a si mesmo. No seio de Maria, formou seu Filho, não outro qualquer, mas o mesmo, para que, por natureza, fosse realmente um só e o mesmo Filho de Deus e de Maria! Toda a criação é obra de Deus, e Deus nasceu de Maria. Deus criou todas as coisas, e Maria deu à luz Deus! Deus que tudo fez, formou-se a si próprio no seio de Maria. E deste modo refez tudo o que tinha feito. Ele que pode fazer tudo do nada, não quis refazer sem Maria o que fora profanado.
Por conseguinte, Deus é o Pai das coisas criadas, e Maria a mãe das coisas recriadas. Deus é o Pai da criação universal, e Maria a mãe da redenção universal. Pois Deus gerou aquele por quem tudo foi feito, e Maria deu à luz aquele por quem tudo foi salvo. Deus gerou aquele sem o qual nada absolutamente existe, e Maria deu à luz aquele sem o qual nada absolutamente é bom.
Verdadeiramente o Senhor é contigo, pois quis que toda a natureza reconheça que deve a ti, juntamente com ele, tão grande benefício.
(Das Meditações de Santo Anselmo, bispo – Séc. XII – Liturgia das Horas)