quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

S. Irineu: A manifestação do Filho é o conhecimento do Pai

Do Tratado contra as heresias, de Santo Irineu, bispo

(Livr.4,6,3.5.7:SCh100,442.446.448-454)
  (Séc.I)

A manifestação do Filho é o conhecimento do Pai

Ninguém pode conhecer o Pai sem o Verbo de Deus, isto é, sem o Filho que o revela.
Também não se conhece o Filho sem a vontade do Pai. O Filho faz a vontade do Pai,
pois o Pai o envia. O Filho é enviado e vem a nós. Assim o Pai, que é para nós invisível
e incognoscível, torna-se conhecido por seu próprio Verbo. Ora, só o Pai conhece seu
Verbo, como o manifestou o Senhor. Por isto o Filho nos leva ao conhecimento do Pai
mediante a sua própria encarnação. Com efeito, a manifestação do Filho é o
conhecimento do Pai. Na verdade, tudo nos é revelado pelo Verbo.

O Pai revelou o Filho para se dar a conhecer a todos por meio dele. Mais ainda: a fim de
acolher, em toda justiça, para a ressurreição eterna, os que nele crêem. Crer nele é viver segundo sua vontade.

De fato, o Verbo já revela o Deus criador pela própria criação; pelo mundo, o Senhor
que o construiu; pela criatura plasmada, o artífice que a plasmou; e pelo Filho, o Pai que
o gerou. Destas coisas todos falam do mesmo modo, mas não crêem todos do mesmo
modo. Pela lei e os profetas, o Verbo, igualmente, anunciava-se a si e ao Pai. Todo o
povo do mesmo modo o ouviu, mas não creram todos do mesmo modo. Pelo Verbo,
tornado visível e palpável, o Pai se revelou, embora nem todos cressem nele do mesmo
modo. Todos, porém, viram o Pai no Filho. A realidade invisível que se manifestava no
Filho era o Pai, e a realidade visível na qual o Pai se revelou era o Filho.

O Filho tudo perfaz do princípio ao fim para o Pai, e sem ele ninguém pode conhecer a
Deus. O conhecimento do Pai é o Filho. O conhecimento do Filho pertence ao Pai e é
revelado pelo Filho. Por este motivo, o Senhor dizia: Ninguém conhece o Filho a não
ser o Pai; nem o Pai a não ser o Filho e aqueles a quem o Filho revelar. Revelar não se
refere apenas ao futuro como se o Verbo só tivesse começado a revelar o Pai quando
nasceu de Maria. De fato, o Verbo se encontra universalmente e em todo o tempo. No
início, sendo o Filho presente à sua criatura, ele revela o Pai a todos a quem o Pai quer,
quando quer e como quer. Em tudo e por tudo, há um só Deus, o Pai, e um só Verbo, o
Filho, e um só Espírito e uma única salvação para todos os que nele crêem.

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

É preciso calar e expulsar o diabo...

Evangelho do dia (Mc 1, 21b-28) 15/01/13:

21bEstando com seus discípulos em Cafarnaum, Jesus, num dia de sábado, entrou na sinagoga e começou a ensinar. 22Todos ficavam admirados com o seu ensinamento, pois ensinava como quem tem autoridade, não como os mestres da Lei.
23Estava então na sinagoga um homem possuído por um espírito mau. Ele gritou: 24“Que queres de nós, Jesus Nazareno? Vieste para nos destruir? Eu sei quem tu és: tu és o Santo de Deus”. 25Jesus o intimou: “Cala-te e sai dele”!
26Então o espírito mau sacudiu o homem com violência, deu um grande grito e saiu. 27E todos ficaram muito espantados e perguntavam uns aos outros: “Que é isso? Um ensinamento novo dado com autoridade: Ele manda até nos espíritos maus, e eles obedecem!” 28E a fama de Jesus logo se espalhou por toda parte, em toda a região da Galileia.


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Comentário:
  Sempre fico pensando sobre o porquê de Jesus calar esses demônios sobre a verdade de sua Pessoa. Não seria mais fácil aproveitar a oportunidade? Imagina a propaganda: Jesus, o Santo de Deus, expulsou demônios que não eram capazes de lidar com sua força! Parece que tal propaganda seria super positiva, vocês não acham? Pois é... Pensando um pouco melhor, pode vir alguma coisa boa dos demônios? Aprovar a propaganda deles não seria de certo modo compactuar com eles? Pensando por esse lado não existe negociação! Jesus os manda calar e sair, pois o que é de Deus não se mistura com o que é do demônio. Jesus não está atrás da promoção fácil apresentada pelo diabo. Ele é o Santo de Deus, e por isso nada que venha do diabo faz parte disso.
  A radicalidade de Jesus nesse texto, mais que admirada deve ser imitada. Na nossa vida somos diversas vezes tentados para "economizarmos" tempo no percurso espiritual. Quantas vezes na prática do bem se apresenta para nós uma forma mais cômoda e menos empenhativa como possibilidade? Quantas boas idéias sucumbiram a conveniência? Quantas propostas positivas morreram por se misturarem com o poder? Quantas boas intenções maculadas pela influência meios maléficos? Confesso que nem sempre percebemos a ameaça quando ela se aproxima. Muitas vezes achamos que é a providência se manifestando, por isso precisamos de prudência e discernimento. Não devemos nos iludir, a porta para o Céu é a estreita! Suspeite das facilidades, das oportunidades únicas, dos "pequenos" desvios para acelerar processos, pois o Deus ama o perseverante! O virtuoso sabe que o bem só pode ser conquistado com o esforço. O anúncio do diabo levaria a glória rápida e mundana, mas o projeto de Deus era a cruz, sacrifício único e definitivo. Precisamos aprender a calar o diabo e encarar o projeto silencioso de Deus, que não faz alarde, mas é defintivo.
Paz!

São Basílio: Possuímos a inata capacidade de amar

Da Regra mais longa, de São Basílio Magno, bispo

(Resp. 2,1: PG 31,908-910)
(Séc.IV)

Possuímos inata capacidade de amar

O amor de Deus não é matéria de ensino nem de prescrições. Não aprendemos de
outrem a alegrar-nos com a luz, ou a desejar a vida, ou a amar os pais ou educadores.
Assim – ou melhor, com muito mais razão –, não se encontra o amor de Deus na
disciplina exterior. Mas, quando é criado, o ser vivo, isto é, o homem, a força da razão
foi, como semente, inserida nele, uma força que contém em si a capacidade e a
inclinação de amar. Logo que entra na escola dos divinos preceitos, o homem toma
conhecimento desta força, apressando-se em cultivá-la com ardor, nutri-la com
sabedoria e levá-la à perfeição, com o auxílio de Deus.

Sendo assim, queremos provar vosso empenho em atingir este objetivo. Pela graça de
Deus e contando com as vossas preces, nós nos esforçaremos, segundo a capacidade
dada pelo Espírito Santo, por suscitar a centelha do amor divino escondida em vós.

Antes de mais nada, nós dele recebemos antecipadamente a força e a capacidade de pôr
em prática todos os mandamentos que Deus nos deu. Por isso não nos aflijamos como
se nos fosse exigido algo de incomum, nem nos tornemos vaidosos pensando que damos
mais do que havíamos recebido. Se usarmos bem destas forças, levaremos uma vida
virtuosa; no entanto, mal empregadas, cairemos no pecado.

Ora, o pecado se define como o mau uso, o uso contrário à vontade de Deus daquilo que
ele nos deu para o bem. Pelo contrário, a virtude, como Deus a quer, é o
desenvolvimento destas faculdades que brotam da consciência reta, segundo o preceito
do Senhor.

O mesmo diremos da caridade. Ao recebermos o mandamento de amar a Deus, já
possuímos capacidade de amar, plantada em nós desde a primeira criação. Não há
necessidade de provas externas: cada qual por si e em si mesmo pode descobri-la. De
fato, nós desejamos, naturalmente, as coisas boas e belas, embora, à primeira vista,
algumas pareçam boas e belas a uns e não a outros. Amamos também, sem ser
necessário que nos ensinem nossos parentes e amigos e temos espontaneamente grande
amizade por nossos benfeitores.

O que haverá, pergunto então, de mais admirável do que a beleza divina? Que coisa
pode haver mais suave e deliciosa do que a meditação da magnificência de Deus? Que
desejo será mais veemente e violento do que aquele inserido por Deus na alma liberta de toda impureza e que lhe faz dizer do fundo do coração: Estou ferida de amor? É na
verdade totalmente indescritível o fulgor da beleza de Deus.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Meditação de hoje: O chamado é também para você!

Evangelho do dia (14/01/13) Mc 1, 14-20:

14Depois que João Batista foi preso, Jesus foi para a Galileia, pregando o Evangelho de Deus e dizendo: 15“O tempo já se completou e o Reino de Deus está próximo. Convertei-vos, e crede no Evangelho!”
16E, passando à beira do mar da Galileia, viu Simão e André, seu irmão, que lançavam a rede ao mar, pois eram pescadores. 17Jesus lhes disse: “Segui-me e eu farei de vós pescadores de homens”. 18E eles, deixando imediatamente as redes, seguiram a Jesus.
19Caminhando mais um pouco, viu também Tiago e João, filhos de Zebedeu. Estavam na barca, consertando as redes; 20e logo os chamou. Eles deixaram seu pai Zebedeu na barca com os empregados, e partiram, seguindo Jesus.

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Comentário:

  No Evangelho de hoje, Jesus prega a chegada do Reino de Deus e nos chama a conversão. Me parece impressionante esse anúncio, não só pelo conteúdo, mas pela sua perenidade. Você já parou para refletir sobre o significado desse anúncio? O Reino de Deus se aproximou de você! A soberania de Deus se apresentou para nós! Me pego sempre pensando no que isso pode significar na vida de alguém... O Reinado de Deus chegou na minha vida e eu tenho que me adaptar a ele, isto é converter-me. Deus vem tomar posse do que é seu, mas não o faz sem ter em conta a nossa pessoa, por isso nos convida: Convertei-vos! Aceitar a soberania do Senhor inplica abandonar a nossa soberania pessoal, conquistada pelo afastamento de Deus da nossa vida com o nosso pecado. Temos que sair do mundo egocêntrico que criamos, onde nossa vontade é soberana, para abraçar uma vida Cristocêntrica, onde o Cristo me revela a verdade do que eu sou e me chama a crescer com Ele.
  O chamado que Jesus faz aos Apóstolos hoje revela esse movimento: Ele chama, os Apóstolos aderem, Ele os faz discípulos seus... O primerio chamado ainda ecoa hoje para mim e para você. Nós, ocupados nos nossos afazeres, encontramos ainda esse Cristo que nos diz: Segue-me! O que vamos responder? Aceitar o chamado implica uma mudança de mentalidade, uma adesão ao Reinado de Deus, uma aceitação da presença d'Ele em nossa vida, capaz de renovar a nossa mentalidade e nos fazer novas criaturas. A conversão é difícil porque exige um desapego de nós mesmos... Mas o que nos é oferecido é tão maior! Como seria importante compreender isso! Muitas vezes colocamos um peso muito grande no que deixamos, nos ressentindo demais pela perda, mas nos esquecemos do que recebemos quando o seguimos: "cem vezes mais e a vida eterna!", já dizia Jesus a Pedro.
  Quem o segue participa também de sua missão, de modo que não nos tornamos passivos, mas também protagonistas, pois ele forma e depois envia! E, assim, o Evangelho chegou até nós, através de gerações de chamados que continuam realizando a missão daqueles primeiros, fazendo crescer o Povo de Deus, construindo seu Reinado neste mundo, fazendo ecoar aquele anúncio simples e direto de Jesus: "O Reino de Deus está próximo. Convertei-vos e crede no Evangelho!" Que tal continuarmos em nós aquilo que Jesus começou e que cresceu por gerações de cristãos? O chamado é também para você!
Paz!

Nós vos rogamos, Senhor, que sejais o nosso “sustentáculo e auxílio”.

Da Carta aos Coríntios, de São Clemente I, papa

(Nn.59.2-60,4; 61,3: Funk 1, 135-141)     (Séc.I)

Fonte da sabedoria, a Palavra de Deus nas alturas
 Com orações e súplicas incessantes, pedimos ao Criador de todas as coisas que conserve
íntegro o número de seus eleitos em todo o mundo, por meio de seu amado Filho, Jesus
Cristo. Por ele, fomos chamados das trevas para a luz, da ignorância para o
conhecimento de seu nome glorioso. Concedei-nos, Senhor, a graça de esperar em vosso
nome, princípio de toda criatura. Abertos os olhos de nosso coração, conheçamos a vós
somente, altíssimo entre os altíssimos, santo a repousar entre os santos. Vós humilhais
a arrogância dos soberbos. Arrasais os planos dos pagãos. Elevais os humildes e
humilhais os poderosos, fazeis os ricos e os pobres. Levais à morte, salvais e vivificais,
único benfeitor dos espíritos e Deus de toda a carne. Vós contemplais os abismos e
observais as obras dos homens. Sois o auxílio dos que estão em perigo, salvador dos
desesperados, criador e guarda de todas as almas. Multiplicais os povos pela terra e,
entre todos, escolheis aqueles que vos amam, por Jesus Cristo, vosso Filho amado, por
quem nos renovais, santificais e cobris de honra.

Nós vos rogamos, Senhor, que sejais o nosso “sustentáculo e auxílio”. Libertai os
nossos que estão atribulados. Compadecei-vos dos pequeninos. Levantai os caídos.
Sustentai os indigentes. Sarai os doentes. Fazei voltar os que se desgarram de vosso
povo. Dai de comer aos famintos. Tirai da prisão nossos cativos. Erguei os fracos,
confortai os medrosos. Todas as nações vos conheçam, porque só vós sois Deus, e
conheçam igualmente a Jesus Cristo, vosso Filho, e com elas também nós, o vosso povo
e as ovelhas do vosso rebanho.

Por vossas obras manifestastes a perene constituição do mundo. Vós, Senhor, criastes o
globo terrestre. Sois fiel para com todas as gerações, justo nos julgamentos, admirável
de força e de magnificência. Sois cheio de sabedoria ao criar e prudente em firmar as
coisas criadas. Sois bom em tudo quanto é visível, fiel para com aqueles que em vós
confiam, benigno e misericordioso. Perdoai nossas infidelidades e injustiças, nossos
pecados e delitos.

Não acuseis de pecado vossos servos e vossas servas, mas purificai-nos em vossa
verdade e conduzi nossos passos para caminharmos com piedade, justiça e
simplicidade de coração, fazendo tudo o que é bom e agradável a vossos olhos e diante
de nossos pastores. Sobretudo, Senhor, mostrai-nos vossa face e possamos nós gozar
dos bens na paz à sombra de vossa mão poderosa; por vosso braço estendido sejamos
livres de todo pecado; guardai-nos daqueles que nos odeiam sem motivo.

Dai-nos concórdia e paz, a nós e a todos os habitantes da terra, como as destes a nossos
antepassados, que piedosamente vos invocavam na fé e na verdade. Unicamente vós
podeis agir assim e ainda maiores benefícios realizar em nosso favor. Nós vos louvamos
pelo pontífice e protetor de nossas vidas, Jesus Cristo. Por ele glória e majestade a vós
agora, por todas as gerações e por todos os tempos. Amém.

domingo, 13 de janeiro de 2013

Meditação de hoje: somos chamados a celebrar o nosso Batismo no Batismo do Senhor!

Hino do Ofício das Leituras:
João cumpre a sua missão
ao batizar o Senhor,
que no Jordão mergulhando
na água as águas lavou.

Não quer lavar-se a si mesmo
o Filho da Virgem pura,
mas quer nas águas lavar
a culpa da criatura.

É este o meu Filho amado,
do Pai a voz proclamou.
E sob a forma de pomba
nele o Espírito pousou.
A salvação da Igreja
neste mistério reluz.
Em três pessoas um Deus
no tempo e na eterna luz.

Ó Cristo, vida e verdade,
a vós a glória, o louvor;
o Pai e o Espírito, revelam
vosso divino esplendor.
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Hoje somos chamados a celebrar o nosso Batismo no Batismo de Jesus. O Senhor santifica as águas para que elas nos santifiquem. A graça nos foi dada, a filiação foi concedida, o Pai nos reconhece! A Trindade nos acolhe na Família Divina através de Jesus e do seu Espírito, por vontade do Pai Criador. O Batismo se torna a grande entrada na graça para todos os que acreditam. Sinal sensível e eficaz da graça que nos faz sacerdotes, profetas e reis em Cristo Jesus. O Batismo inicia o que devemos continuar na vida. Como sacerdotes deve oferecer com nossas vidas um sacrifício agradável a Deus, através de uma vida reta e digna de filho de Deus, bem como através de nossa oração e vida espiritual. Como profetas devemos ser com a nossa vida anunciadores da chegada do Reino e denunciadores daquilo que não é de Deus, e, quando necessário - como dizia Francisco -  utilizar as palavras. Como reis somos chamados a viver a dignidade que Jesus nos deu, não como reis deste mundo, mas como co-herdeiros do céu!
Obrigado, Senhor, pela graça do Batismo! Obrigado por tê-lo recebido! Permita, Senhor, que não me afaste jamais do que ele significa em minha vida. Amém!

Gregório de Nazianzo: "Cristo é batizado, desçamos com ele às águas para com ele subirmos."

Dos Sermões de São Gregório de Nazianzo, bispo

 
(Oratio in sancta Lumina, 14-16. 20:PG 36, 350-351. 354. 358-359)
(Séc. IV)
O batismo de Cristo
Cristo é iluminado no batismo, recebemos com ele a luz; Cristo é batizado, desçamos com ele às águas para com ele subirmos.

João batiza e Jesus se aproxima; talvez para santificar igualmente aquele que o batiza e, sem dúvida, para sepultar nas águas o velho Adão. Antes de nós, e por nossa causa, ele que é Espírito e carne santificou as águas do Jordão, para assim nos iniciar nos sacramentos mediante o Espírito e a água.

João reluta, Jesus insiste. Eu é que devo ser batizado por ti (cf. Mt 3,14), diz a lâmpada ao Sol, a voz à Palavra, o amigo ao Esposo, diz o maior entre todos os nascidos de mulher ao Primogênito de toda criatura, aquele que estremecera de alegria no seio materno ao que fora adorado no seio de sua Mãe, o que era e seria precursor ao que já tinha vindo e de novo há de vir.  Eu é que devo ser batizado por ti. Podia ainda acrescentar: e por causa de ti. Pois sabia que ia receber o batismo de sangue ou que, como Pedro, não lhe seriam apenas lavados os pés.
Jesus sai das águas, elevando consigo o mundo que estava submerso, e vê abrirem-se os céus de par em par, que Adão tinha fechado para si e sua posteridade, assim como o paraíso lhe fora fechado por uma espada de fogo.

O Espírito, acorrendo àquele que lhe é igual, dá testemunho da sua divindade. Vem do céu uma voz, pois também vinha do céu aquele de quem se dava testemunho. E ao mostrar-se na forma corporal de uma pomba, o Espírito glorifica o corpo de Cristo, já que este, por sua união com a  divindade, é o corpo de Deus. De modo semelhante, muitos séculos antes, uma pomba anunciara o fim do dilúvio.

Veneremos hoje o batismo de Cristo e celebremos dignamente esta festa.

Permanecei inteiramente puros e purificai-vos sempre mais. Nada agrada tanto a Deus quanto o arrependimento e a salvação do homem, para quem se destinam todas as suas palavras e mistérios. Sede como luzes no mundo, isto é, como uma força vivificante para os outros homens. Permanecendo como luzes perfeitas diante da grande luz, sereis inundados pelo esplendor dessa luz que brilha no céu e iluminados com maior pureza e fulgor pela Trindade. Dela acabastes de receber, embora não em plenitude, o único raio que procede da única Divindade, em Jesus Cristo, nosso Senhor, a quem pertencem a glória e o poder pelos séculos dos séculos. Amém.