terça-feira, 18 de setembro de 2012

A Coluna da Imaculada Conceição

Próximo à Piazza Spagna está a Coluna da Imaculada Conceição, encomendada pelo Papa Pio IX, por ocasião da proclamação do Dogma da Imaculada Conceição. A Maquete deste projeto se encontra no Museu do claustro da Basílica de São João de Latrão, junto com outros objetos que recordam a proclamação.










Rezemos à Virgem Maria Concebida sem pecado:

Ó Virgem, pela tua bênção é abençoada a criação inteira!
O céu e as estrelas, a terra e os rios, o dia e a noite, e tudo quanto obedece ou serve aos homens, congratulam-se, ó Senhora, porque a beleza perdida foi por ti de certo modo ressuscitada e dotada de uma graça nova e inefável. Todas as coisas pareciam mortas, ao perderem sua dignidade original que é de estar em poder e a serviço dos que louvam a Deus. Para isto é que foram criadas. Estavam oprimidas e desfiguradas pelo mau uso que delas faziam os idólatras, para os quais não haviam sido criadas. Agora, porém, como que ressuscitadas, alegram-se, pois são governadas pelo poder e embelezadas pelo uso dos que louvam a Deus.
Perante esta nova e inestimável graça, todas as coisas exultam de alegria ao sentirem que Deus, seu Criador, não apenas as governa invisivelmente lá do alto, mas também está visivelmente nelas, santificando-as com o uso que delas faz. Tão grandes bens procedem do bendito fruto do sagrado seio da Virgem Maria.
Pela plenitude da tua graça, aqueles que estavam na mansão dos mortos alegram-se, agora libertos; e os que estavam acima do céu rejubilam-se renovados. Com efeito, pelo Filho glorioso de tua gloriosa virgindade todos os justos que morreram antes da sua morte vivificante, exultam pelo fim de seu cativeiro, e os anjos se congratulam pela restauração de sua cidade quase em ruínas.
Ó mulher cheia e mais que cheia de graça, o transbordamento de tua plenitude faz renascer toda criatura! Ó Virgem bendita e mais que bendita, pela tua bênção é abençoada toda a natureza, não só as coisas criadas pelo Criador, mas também o Criador pela criatura!
Deus deu a Maria o seu próprio Filho, único gerado de seu coração, igual a si, a quem amava como a si mesmo. No seio de Maria, formou seu Filho, não outro qualquer, mas o mesmo, para que, por natureza, fosse realmente um só e o mesmo Filho de Deus e de Maria! Toda a criação é obra de Deus, e Deus nasceu de Maria. Deus criou todas as coisas, e Maria deu à luz Deus! Deus que tudo fez, formou-se a si próprio no seio de Maria. E deste modo refez tudo o que tinha feito. Ele que pode fazer tudo do nada, não quis refazer sem Maria o que fora profanado.
Por conseguinte, Deus é o Pai das coisas criadas, e Maria a mãe das coisas recriadas. Deus é o Pai da criação universal, e Maria a mãe da redenção universal. Pois Deus gerou aquele por quem tudo foi feito, e Maria deu à luz aquele por quem tudo foi salvo. Deus gerou aquele sem o qual nada absolutamente existe, e Maria deu à luz aquele sem o qual nada absolutamente é bom.
Verdadeiramente o Senhor é contigo, pois quis que toda a natureza reconheça que deve a ti, juntamente com ele, tão grande benefício.
(Das Meditações de Santo Anselmo, bispo – Séc. XII – Liturgia das Horas)

sábado, 16 de junho de 2012

O Imaculado Coração de Maria


Uma das coisas interessantes quando falamos do Imaculado Coração de Maria é que somos capazes rapidamente de nos remetermos a graça de Deus e ao influxo do Espírito na vida da Virgem. Mas hoje gostaria de fazer notar que o humano da Virgem correspondeu a graça, e isso é importante celebrar! A Virgem, preservada da macha do pecado original, diferente da decisão dos nossos primeiros pais, permaneceu fiel ao projeto de Deus em sua vida. O "faça-se" mariano não diz respeito somente à decisão de acolher o Menino-Deus, também não é resultado de um impulso momentâneo acertado da jovenzinha de Nazaré, mas brota de um coração disposto a fazer a vontade de Deus, independente do que ela determinar! Um coração imaculado primeiro pela graça de Deus, mas também pela perseverança humana. Peçamos à Deus, nós que somos maculados mas redentos, que nos ajude a aprender de Maria a crescer na fidelidade de coração! Para ajudar a meditar sobre o dia de hoje segue uma reflexão retirada da Liturgia das Horas. Paz!

Dos Sermões de São Lourenço Justiniano, bispo
(Sermo 8, in festo Purificationis B.M.V.:
Opera 2, Venetis1751,38-39)

Maria conservava tudo em seu coração
Maria refletia consigo mesma em tudo quanto tinha conhecido, através do que lia, escutava e via; assim, progredia de modo admirável na fé, na sabedoria e em méritos, e sua alma se inflamava cada vez mais com o fogo da caridade! O conhecimento sempre mais profundo dos mistérios celestes a enchia de alegria,fazia-lhe sentir a fecundidade do Espírito, a atraía para Deus e a confirmava na sua humildade. Tais são os efeitos da graça divina: eleva do mais humilde ao mais excelso e vai transformando a alma de claridade em claridade.

Feliz o coração da Virgem que, pela luz do Espírito que nela habitava, sempre e em tudo obedecia à vontade do Verbo de Deus. Não se deixava guiar pelo seu próprio sentimento ou inclinação, mas realizava, na sua atitude exterior, as insinuações internas da sabedoria inspiradas na fé. De fato, convinha que a Sabedoria de Deus, ao edificar a Igreja para ser o templo de sua morada, apresentasse Maria Santíssima como modelo de cumprimento da lei, de purificação da alma, de verdadeira humildade e de sacrifício espiritual.

Imita-a tu, ó alma fiel! Se queres purificar-te espiritualmente e conseguir tirar as manchas do pecado, entra no templo do teu coração. Aí Deus olha mais para a intenção do que para a exterioridade de tudo quanto fazemos. Por isso, quer elevemos nosso espírito à contemplação, a fim de repousarmos em Deus, quer nos exercitemos na prática das virtudes para sermos úteis ao próximo com as nossas boas obras, façamos uma ou outra coisa de maneira que só a caridade de Cristo nos impulsione. É este o sacrifício perfeito da purificação espiritual, que não se oferece em templo feito por mão humana, mas no templo do coração onde Cristo Senhor entra com alegria.

quinta-feira, 7 de junho de 2012

O maior de todos os milagres que Cristo realizou!

Para refletir e participar bem da Festa de Corpus Christi. São Tomás define a Eucaristia como o maior milagre que Cristo realizou e nós podemos contemplá-lo todos os dias! Obrigado Senhor, pelo grande milagre da Eucaristia! Boa Leitura!

Das Obras de Santo Tomás de Aquino, presbítero

(Opusculum 57, In festo Corporis Christi, lect. 1-4)
 (Séc.XIII)

Ó precioso e admirável banquete!
O unigênito Filho de Deus, querendo fazer-nos participantes da sua divindade, assumiu nossa natureza, para que, feito homem, dos homens fizesse deuses.

Assim, tudo quanto assumiu da nossa natureza humana, empregou-o para nossa
salvação. Seu corpo, por exemplo, ele o ofereceu a Deus Pai como sacrifício no altar da
cruz, para nossa reconciliação; seu sangue, ele o derramou ao mesmo tempo como preço do nosso resgate e purificação de todos os nossos pecados.

Mas, a fim de que permanecesse para sempre entre nós o memorial de tão imenso benefício, ele deixou aos fiéis, sob as aparências do pão e do vinho, o seu corpo como alimento e o seu sangue como bebida. Ó precioso e admirável banquete, fonte de salvação e repleto de toda suavidade! Que há de mais precioso que este banquete? Nele, já não é mais a carne de novilhos e cabritos que nos é dada a comer, como na antiga Lei, mas é o próprio Cristo, verdadeiro Deus, que se nos dá em alimento. Poderia haver algo de mais admirável que este sacramento?

De fato, nenhum outro sacramento é mais salutar do que este; nele os pecados são destruídos, crescem as virtudes e a alma é plenamente saciada de todos os dons espirituais.

É oferecido na Igreja pelos vivos e pelos mortos, para que aproveite a todos o que foi instituído para a salvação de todos.

Ninguém seria capaz de expressar a suavidade deste sacramento; nele se pode saborear a doçura espiritual em sua própria fonte; e torna-se presente a memória daquele imenso e inefável amor que Cristo demonstrou para conosco em sua Paixão.

Enfim, para que a imensidade deste amor ficasse mais profundamente gravada nos
corações dos fiéis, Cristo instituiu este sacramento durante a última Ceia, quando, ao
celebrar a Páscoa com seus discípulos, estava prestes a passar deste mundo para o Pai.
A Eucaristia é o memorial perene da sua Paixão, o cumprimento perfeito das figuras da
Antiga Aliança e o maior de todos os milagres que Cristo realizou. É ainda singular
conforto que ele deixou para os que se entristecem com sua ausência.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

A Verdade e a Retidão Moral

    Hoje me deparei com uma passagem que me fez refletir… Quero partilhá-la com vocês:

    "a verdade e a retidão moral são tanto uma necessidade para o homem e a sociedade quanto o ar, a água, o fogo, o alimento, o abrigo, e todas as demais coisas das quais depende a vida do corpo. São mais necessárias! Pois, a vida moral e espiritual do homem é especificamente humana e, sem isso, o homem faria melhor se estivesse morto!" (MERTON, Thomas, Paz na era pós-cristã, Ed. Santuário, Aparecida-SP, 2007, p.76).

    Olhar a verdade e a retidão como necessidades viscerais é um pensamento forte! Às vezes nos esquecemos que nossas necessidades não se limitam ao material; nos esquecemos que nosso humano necessita de mais do que o comer e o beber. Basear nossa vida no que nos proporciona prazer pode nos fazer esquecer do BEM. O BEM não é equivalente necessariamente ao que nos faz sentir bem, mas sim àquilo que nos humaniza, que nos aproxima de nossa perfeição e isso pode ser prazeroso ou não. Sentir-se bem nem sempre corresponde ao ser bom. O melhor exemplo disso é a Cruz de Cristo: ser abandonado por todos seus amigos, ser preso, flagelado, condenado injustamente, carregar sobre si as dores de um mundo inteiro, ser pregado na cruz, não é de modo algum algo prazeroso… Mas podemos falar de obra mais perfeita do que esta? Podemos citar obra que tenha produzido maior bem? A salvação de toda a humanidade foi alcançada com o sacrifício do único homem perfeito! O maior bem foi alcançado com o maior sacrifício! É paradoxal que de um tão grande sofrimento possa brotar um bem tão definitivo. De modo que nossa sociedade se equivoca em perseguir com tanto empenho ao prazer, negligenciando a busca do verdadeiro bem.
    A verdade é ponto de partida para essa busca. Não pode haver verdadeiro crescimento humano e espiritual que não nasça de uma sincera adesão à verdade, tanto nossa, pessoal, quanto comunitária, social. Não quer dizer que temos que sair por aí metralhando os outros com o que consideramos ser a verdade, pois a verdade sem o amor não é verdade. Acho que se trata de um reconhecimento e uma busca empenhada do que deveríamos ser. Temos que partir do nosso eu real, procurando nosso ideal. No nosso caso, como cristãos, nosso ideal é a santidade. A adesão à verdade é também garantia da nossa retidão. A retidão seria a fidelidade na nossa busca, mesmo que nos doa. Podemos retornar agora para a Cruz de Cristo: o mérito de Cristo foi garantido pela sua fidelidade ao Pai até o oferecimento da própria vida. Uma pergunta simples: O quanto estamos dispostos a sofrer para nos manter retos? Acho que a resposta honesta e positiva a esta pergunta difere os santos dos outros…
    Nosso mundo precisa de mais pessoas verdadeiras e retas, ou seja, precisa de pessoas capazes de viver mais intensamente como humanas! Que não se limitem a animalidade do estômago, da saciedade dos sentidos; mas que sejam capazes de ir além, que sejam capazes de cultivar valores, que saibam honrar sua palavra, que busquem o bem, que tenham fome e sede da justiça! Sei o quanto isso parece difícil, mas considero o quanto é também hoje necessário! Peço ao Senhor, hoje, que nos ajude a seguir o seu exemplo para que confiantes possamos alcançar o que nos foi proposto por Ele, para que alcancemos a perfeição - que não é ausência de limites, nem exatidão matemática, mas adesão amorosa ao projeto de Deus para nós.
Paz!

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Festa da Visitação de Nossa Senhora

Hoje celebramos a festa da Visitação de Nossa Senhora e a dedicação de nossa Igreja Catedral em Brasília. É um dia que me faz recordar que a quase um ano atrás estava eu, Pe. José Wellington, a amada Equipe 76 de Nossa Senhora e um grupo de peregrinos, visitando e celebrando no lugar em que estes acontecimentos do Evangelho e da Festa de hoje ocorreram. É verdade, o Senhor fez grandes maravilhas, Santo é o seu nome!

Me lembro que ao chegar nesse Lugar Sagrado, na Terra Santa, depois de subir o monte, logo na entrada do Santuário, existe uma imagem contemporânea das duas mulheres grávidas se encontrando. Que grande encontro! O Verbo Encarnado no seio da Virgem Maria, a Mãe de Deus, João Batista - que segundo afirmação do próprio Cristo, é o maior de todos os homens nascidos de mulher e Santa Isabel. Gostaria de refletir com vocês um pouco o que esse encontro significa para mim. Primeiro olhemos Maria: Ao ouvir atentamente do Anjo Gabriel que sua prima Isabel estava no sexto mês de gestação, saiu de sua casa e foi a casa de Isabel para serví-la nos meses que ainda faltavam para o nascimento de João. Pôs-se a caminho para servir... A grande lição de Maria para nós é que, de modo concreto, amar é servir. Nós gostamos de falar de amor, gostamos do amor romântico, dos sentimentos que a proximidade do amado ou da amada produz em nós, falamos do amor materno como o mais elevado; mas, quando queremos aterrisar todas essas realidades na ação concreta e cotidiana, a expressão mais convincente do amor é o serviço espontâneo e generoso a quem se ama. Olhar esse gesto nessa jovenzinha Maria, que na simplicidade se doa a quem necessita dela, é algo admirável!

A atitude de Maria produz alegria em quem é servido, aqui no caso, em Isabel. Isabel é visitada pelo amor! Pelo Amor Encarnado Jesus Cristo, pelo amor do Espírito Santo que chega até ela pelo Shalom de Maria, pelo amor de Maria, que mesmo sendo a Mãe do Salvador, já na imitação do seu Filho, rebaixa-se a condição de servidora. A alegria é sinal da plenitude amorosa do momento, que é entendido por Isabel como graça! É a gratuidade de Deus que proporciona o momento, é a gratuidade do Espírito que enche a todos de exultação, é a gratuidade de Maria que vai ao encontro portando a causa da alegria que é o próprio Jesus, é a gratuidade de Jesus que permite que sua presença oculta no seio da Virgem Maria já plenifique João da Salvação, através da saudação da sua Mãe.

Podemos também dizer que nós somos visitados por Deus. Deus nos visita em cada oportunidade de amar o irmão; Deus nos visita quando somos amados por alguém; Deus nos visita no serviço de todos os que atendem nossas necessidades. Somos visitados pelo Espírito Santo, quando permitimos que as palavras de amor nos alcancem no profundo, produzindo alegria. Somos visitados quando abrimos nossos ouvidos para ouvir a Palavra de Deus. Somos visitados, quando na oração silenciamos para que Ele fale em nós. Somos vistados todos os dias, de forma simples e dedicada, por um Deus que cuida do detalhe para nós! Mas a maior visita é na Comunhão Eucarística, onde o Verbo Encarnado se une profundamente a nós e na graça manifesta o seu amor em sua vida dada na Cruz e significada no alimento eucarístico. Que maravilhosa visita! Festejemos, pois a Visitação é anúncio de grande alegria: O Senhor nos visitou, e nos fomos salvos por Ele!
Paz!



Pensado nisso, Senhor, não quero mais que sejas hóspede. Quero que esta minha carne, esta minha alma, seja morada vossa. Permanece comigo, Senhor!

Carnaval. Fora de época, mas vale pela liberdade de expressão!

Sei que tá meio fora de época, mas achei o comentário tão ousado - considerando o modo como a imprensa vende o carnaval - que decidi dividir com vocês. Opiniões à parte, liberdade de expressão exercida!


segunda-feira, 28 de maio de 2012

Aprender a suportar os males

Quero partilhar com você essa meditação do Papa Gregório Magno, sobre aprender a lidar com os sofrimentos. Boa leitura e reflexão!


Dos Livros “Moralia” sobre Jó, de São Gregório Magno, papa
(Lib. 3,15-16: PL75,606-608)  (Séc.VI)
Se da mão de Deus recebemos os bens, por que não suportaremos os males?

    Paulo, considerando em seu íntimo as riquezas da sabedoria e vendo-se externamente um corpo corruptível, exclama: Temos este tesouro em vasos de barro! No santo Jó, o vaso de barro sofre no exterior as rupturas das úlceras. Por dentro, porém, continua íntegro o tesouro. Por fora é ferido de chagas. Por dentro, a perene nascente do tesouro da sabedoria derrama-se em palavras santas: Se da mão de Deus recebemos os bens, por que não suportaremos os males? Para ele, os bens são os dons de Deus, tanto os temporais quanto os eternos, enquanto que os males são os flagelos do momento. Diz o Senhor pelo Profeta: Eu, o Senhor, e não há outro, faço a luz e crio as trevas, produzo a
paz e crio os males.
    Faço a luz e crio as trevas: quando, pelos flagelos, são criadas exteriormente as trevas do sofrimento, no íntimo, pela correção, acende-se a luz do espírito. Produzo a paz e crio os males. Voltamos à paz com Deus quando os bens criados, porém, mal desejados, por serem males para nós, se transformam em flagelos. Pela culpa, estamos em discórdia com Deus. Portanto, é justo que, pelos flagelos, retornemos à paz com ele. Quando os bens criados começam a causar-nos sofrimento, o espírito assim castigado procura humildemente a paz com o Criador.
    É preciso considerar com muita atenção, nas palavras de Jó, contra a opinião de sua mulher, a justeza do seu raciocínio. Se recebemos da mão do Senhor os bens, por que não suportaremos os males? Grande conforto na tribulação é, em meio às contrariedades, lembrarmo-nos dos dons concedidos por nosso Criador. E não nos abatemos, em face da dor, se logo nos ocorrer à mente o dom que a reanima. Sobre isto está escrito: Nos dias bons, não te esqueças dos maus, e nos dias maus lembra-te dos bons.
    Quem recebe os bens da vida, mas durante os bons tempos deixa inteiramente de temer os flagelos, cai na soberba através da alegria. Quem é atormentado pelos flagelos e nestes dias maus não se consola com os dons recebidos, perde, com o mais profundo desespero, o equilíbrio do espírito.
    Assim sendo, é necessário unir os dois, de modo que um sempre se apóie no outro: que a lembrança dos bens modere o sofrimento dos flagelos e que a suspeita e o medo dos flagelos estejam a mordiscar a alegria dos bens.
    O santo homem com suas chagas, para aliviar o espírito oprimido em meio às dores dos flagelos, pensa na doçura dos dons: Se recebemos da mão do Senhor os bens, por que não haveremos de suportar os males?

Fonte: Ofício das Leituras de hoje, Liturgia das Horas.