quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Paulo Miki e seus companheiros mártires!


Da História do martírio dos santos Paulo Miki e seus companheiros, escrita por um
autor do tempo

(Cap.14,109-110:Acta Sanctorum Febr. 1, 769)

(Séc.XVI)

Sereis minhas testemunhas
Quando as cruzes foram levantadas, foi coisa admirável ver a constância de todos, à
qual eram exortados pelo Padre Passos e pelo Padre Rodrigues. O Padre Comissário
permaneceu sempre de pé, sem se mexer e com os olhos fixos no céu. O Irmão
Martinho cantava salmos de ação de graças à bondade divina, aos quais acrescentava o
versículo: Em vossas mãos, Senhor (Sl 30,6). Também o Irmão Francisco Blanco dava
graças a Deus com voz clara. O Irmão Gonçalo recitava em voz alta o Pai-nosso e a
Ave-Maria.

O nosso Irmão Paulo Miki, vendo-se colocado diante de todos no mais honroso púlpito
que nunca tivera, começou por declarar aos presentes que era japonês e pertencia à
Companhia de Jesus, que ia morrer por haver anunciado o Evangelho e que dava graças
a Deus por lhe conceder tão imenso benefício. E por fim disse estas palavras: “Agora
que cheguei a este momento de minha vida, nenhum de vós duvidará que eu queira
esconder a verdade. Declaro-vos, portanto, que não há outro caminho para a salvação
fora daquele seguido pelos cristãos. E como este caminho me ensina a perdoar os
inimigos e os que me ofenderam, de todo o coração perdôo o Imperador e os
responsáveis pela minha morte, e lhes peço que recebam o batismo cristão.

Em seguida, voltando os olhos para os companheiros, começou a encorajá-los neste
momento extremo. No rosto de todos transparecia uma grande alegria, mas era no de
Luís que isto se percebia de modo mais nítido. Quando um cristão gritou que em breve
estaria no paraíso, ele fez com as mãos e o corpo um gesto tão cheio de contentamento
que os olhares dos presentes se fixaram nele.
Antônio estava ao lado de Luís, com os olhos voltados para o céu. Depois de invocar os
santíssimos nomes de Jesus e de Maria, entoou o salmo Louvai, louvai, ó servos do
Senhor (Sl 112,1), que tinha aprendido na escola de catequese em Nagasáki; de fato,
durante o catecismo, costumavam ensinar alguns salmos às crianças.

Alguns repetiam com o rosto sereno: “Jesus, Maria”; outros exortavam os presentes a
levarem uma vida digna de cristãos; e por estas e outras ações semelhantes
demonstravam estar prontos para a morte.

Finalmente os quatro carrascos começaram a tirar as espadas daquelas bainhas que os
japoneses costumam usar. Vendo cena tão horrível, os fiéis gritavam: “Jesus! Maria!”
Seguiram-se lamentos tão sentidos de tocar os próprios céus. Ferindo-os com um
primeiro e um segundo golpe, em pouco tempo os carrascos mataram a todos.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

A verdadeira beleza de Santa Águeda!

Do Sermão na festa de Santa Águeda, de São Metódio da Sicília, bispo

(Analecta Bollandiana,68,76-78)

(Séc. IX)

Dom que nos foi concedido por Deus,
verdadeira fonte da bondade
A comemoração do aniversário de Santa Águeda nos reúne a todos neste lugar, como se
fôssemos um só. Bem conheceis, meus ouvintes, o combate glorioso desta mártir, uma
das mais antigas e ao mesmo tempo tão recente que parece estar agora mesmo lutando e vencendo, através dos divinos milagres com os quais diariamente é coroada e ornada.

A virgem Águeda nasceu do Verbo de Deus imortal e seu único Filho, que também
padeceu a morte por nós. Com efeito, João, o teólogo, assim se exprime: A todos
aqueles que o receberam, deu-lhes a capacidade de se tornarem filhos de Deus (Jo
1,12).

É uma virgem esta mulher que nos convidou para o sagrado banquete; é a mulher
desposada com um único esposo, Cristo, para usar as mesmas expressões do apóstolo
Paulo, ao falar da união conjugal. É uma virgem que pintava e enfeitava os olhos e os lábios com a luz da consciência e a cor do sangue do verdadeiro e divino Cordeiro; e que, pela meditação contínua, trazia sempre em seu íntimo a morte daquele que tanto amava. Deste modo, a mística veste de seu testemunho fala por si mesma a todas as gerações futuras, porque traz em si a marca indelével do sangue de Cristo e o tesouro inesgotável da sua eloqüência virginal.

Ela é uma imagem autêntica da bondade, porque, sendo de Deus, vem da parte de seu
Esposo nos tornar participantes daqueles bens, dos quais seu nome traz o valor e o
significado: Águeda (que quer dizer “boa”) é um dom que nos foi concedido por Deus,
verdadeira fonte de bondade.

Qual a causa suprema de toda a bondade, senão aquela que é o Sumo Bem? Por isso,
quem encontrará algo mais que mereça, como Águeda, os nossos elogios e louvores?

Águeda, cuja bondade corresponde tão bem ao nome e à realidade! Águeda, que pelos
feitos notáveis traz consigo um nome glorioso, e no próprio nome demonstra as ilustres
ações que realizou! Águeda, que nos atrai com o nome, para que todos venham ao seu
encontro, e com o exemplo nos ensina a corrermos sem demora para o verdadeiro bem,
que é Deus somente!

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Alcançar a maturidade na fé, permanecendo crianças...

Dos Tratados sobre os Salmos, do Pseudo-Hilário

(Ps.132: PLS1,244-245)

(Séc.IV)

Todos os fiéis tinham um só coração e uma só alma
 Vede como é bom e alegre habitarem juntos os irmãos. Bom e alegre é habitar na
unidade com os irmãos, porque vivendo deste modo, juntam-se à unidade da Igreja e,
dizendo-se irmãos, concordam na caridade de um só querer.

Já na primeira pregação dos apóstolos existia este grande preceito, conforme lemos:
Todos os fiéis possuíam um só coração e uma só alma.

Convém, portanto que o povo de Deus seja de irmãos em um só Pai, uma unidade em
um só Espírito, vivam unânimes em uma só casa, sejam membros de um só corpo.

Bom e alegre é habitarem os irmãos na unidade. O profeta encontra uma comparação
para esta alegria e bondade: Como o óleo sobre a cabeça, que desce pela barba de
Aarão, até à orla de suas vestes. O óleo de Aarão foi um bálsamo composto de
perfumes, que o ungiu por sacerdote. Agradou a Deus que assim, primeiramente, fosse
consagrado seu sacerdote. Nosso Senhor também foi ungido invisivelmente, de
preferência a seus companheiros. Unção não terena; não derramada de um chifre,
como se ungiam os reis, mas unção com o óleo da alegria, depois da qual, conforme a
lei, Aarão foi chamado de “Cristo”, isto é, “o ungido”.

Como esta unção expele os imundos espíritos do coração de quem a recebe, também
pela unção da caridade, começamos a exalar a concórdia, tão suave a Deus, como diz o
apóstolo: Somos o bom odor de Cristo. Assim, pois, como a primeira unção, e de Aarão
sacerdote, foi agradável a Deus, do mesmo modo é bom e alegre habitarem os irmãos na
unidade.

O óleo desceu da cabeça à barba. A barba é o distintivo da idade adulta. Não é bom
sermos crianças em Cristo, a não ser, como já se disse, crianças na malícia, não no
entendimento. O apóstolo chama todos os infiéis de criancinhas, que ainda não
suportam alimento sólido, precisam de leite. Ele diz: Dei-vos leite a beber e não
alimento sólido; ainda não éreis capazes e nem mesmo agora o sois.

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Hoje é dia de São Brás!

São Brás

O santo de hoje nasceu na cidade de Sebaste, Armênia, no final do século III. São Brás, primeiramente, foi médico, mas entrou numa crise, não profissional, pois era bom médico e prestava um ótimo serviço à sociedade. Mas nenhuma profissão, por melhor que seja, consegue ocupar aquele lugar que é somente de Deus. Então, providencialmente, porque ele ia se abrindo e buscando a Deus, foi evangelizado. Não se sabe se já era batizado ou pediu a graça do Santo Batismo, mas a sua vida sofreu uma guinada. Esta mudança não foi somente no âmbito da religião, sua busca por Nosso Senhor Jesus Cristo estava ligada ao seu profissional e muitas pessoas começaram a ser evangelizadas através da busca de santidade daquele médico.

Numa outra etapa de sua vida, ele discerniu que precisava se retirar. Para ele, o retiro era permanecer no Monte Argeu, na penitência, na oração, na intercessão para que muitos encontrassem a verdadeira felicidade como ele a encontrou em Cristo e na Igreja. Mas, na verdade, o Senhor o estava preparando, porque, ao falecer o bispo de Sebaste, o povo, conhecendo a fama do santo eremita, foi buscá-lo para ser pastor. Ele, que vivia naquela constante renúncia, aceitou ser ordenado padre e depois bispo; não por gosto dele, mas por obediência.

Sucessor dos apóstolos e fiel à Igreja, era um homem corajoso, de oração e pastor das almas, pois cuidava dos fiéis na sua totalidade. Evangelizava com o seu testemunho.

São Brás viveu num tempo em que a Igreja foi duramente perseguida pelo imperador do Oriente, Licínio, que era cunhado do imperador do Ocidente, Constantino. Por motivos políticos e por ódio, Licínio começou a perseguir os cristãos, porque sabia que Constantino era a favor do Cristianismo. O prefeito de Sebaste, dentro deste contexto e querendo agradar ao imperador, por saber da fama de santidade do bispo São Brás, enviou os soldados para o Monte Argeu, lugar que esse grande santo fez sua casa episcopal. Dali, ele governava a Igreja, embora não ficasse apenas naquele local.

São Brás foi preso e sofreu muitas chantagens para que renunciasse à fé. Mas por amor a Cristo e à Igreja, preferiu renunciar à própria vida. Em 316, foi degolado.

Conta a história que, ao se dirigir para o martírio, uma mãe apresentou-lhe uma criança de colo que estava morrendo engasgada por causa de uma espinha de peixe na garganta. Ele parou, olhou para o céu, orou e Nosso Senhor curou aquela criança.

Peçamos a intercessão do santo de hoje para que a nossa mente, a nossa garganta, o nosso coração, nossa vocação e a nossa profissão possam comunicar esse Deus, que é amor.


São Brás, rogai por nós!

A profissão de fé de Inácio nos convida à perseverança!

Da Carta aos Esmirnenses, de Santo Inácio de Antioquia, bispo e mártir.

(Inscriptio; nn. 1,1–4,1: Funk 1, 235-237)                 (Séc. I)

Cristo chamou-nos para seu reino glorioso
Inácio, o Teóforo, à Igreja de Deus Pai e de Jesus Cristo, o dileto, rica de todos os dons da misericórdia, repleta de fé e de caridade, sem que lhe falte qualquer graça, muito amada por Deus, portadora da santidade, à Igreja que está em Esmirna na Ásia, efusivas saudações no Espírito imaculado e no Verbo de Deus.

Rendo glória a Jesus Cristo, Deus, que vos deu tanta sabedoria; pois notei como sois
perfeitos na fé inabalável, como que, de corpo e alma, presos por cravos à cruz do
Senhor Jesus Cristo e firmes na caridade pelo sangue de Cristo, crendo com fé plena e
segura que nosso Senhor é em verdade oriundo da estirpe de Davi segundo a carne,
Filho de Deus pela vontade e poder de Deus. Crendo de igual modo que

verdadeiramente nasceu da Virgem, foi batizado por João para que nele se cumprisse
toda a justiça. Crendo que verdadeiramente, foi, sob Pôncio Pilatos e o tetrarca
Herodes, crucificado na carne por nós – a cujo fruto nós pertencemos por sua bem-
aventurada paixão – a fim de, por sua ressurreição, elevar pelos séculos a bandeira que
reúne seus santos e seus fiéis, judeus ou gentios, no único corpo de sua Igreja.

Tudo padeceu por nós para alcançarmos a salvação; e padeceu de verdade, como
também de verdade ressuscitou a si mesmo.

Eu também sei que, depois da ressurreição, vive em seu corpo e creio estar ele ainda
agora com seu corpo. Ao se encontrar com Pedro e seus companheiros, disse-lhes:
Pegai, apalpai-me e vede que não sou um espírito incorpóreo. E logo o tocaram e
creram, unidos à sua carne e a seu espírito. Por esta razão, desprezaram também a morte
e da morte saíram vitoriosos. Depois da ressurreição, comeu e bebeu com eles como
qualquer ser corporal, embora, espiritualmente,unido ao Pai.

Exorto-vos, portanto, caríssimos, embora bem saiba que pensais do mesmo modo.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Procuramos o Reino fora, mas Deus o plantou dentro de nós!

Evangelho do dia 01/02/13 (Mc 4, 26-34):

Naquele tempo, 26Jesus disse à multidão: “O Reino de Deus é como quando alguém espalha a semente na terra. 27Ele vai dormir e acorda, noite e dia, e a semente vai germinando e crescendo, mas ele não sabe como isso acontece.
28A terra, por si mesma, produz o fruto: primeiro aparecem as folhas, depois vem a espiga e, por fim, os grãos que enchem a espiga. 29Quando as espigas estão maduras, o homem mete logo a foice, porque o tempo da colheita chegou”.
30E Jesus continuou: “Com que mais poderemos comparar o Reino de Deus? Que parábola usaremos para representá-lo? 31O Reino de Deus é como um grão de mostarda que, ao ser semeado na terra, é a menor de todas as sementes da terra. 32Quando é semeado, cresce e se torna maior do que todas as hortaliças, e estende ramos tão grandes, que os pássaros do céu podem abrigar-se à sua sombra”.
33Jesus anunciava a Palavra usando muitas parábolas como estas, conforme eles podiam compreender. 34E só lhes falava por meio de parábolas, mas, quando estava sozinho com os discípulos, explicava tudo.
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Comentário:
Sempre que me encontro com essas parábolas sobre o Reino, me recordo que o nosso tempo neste mundo é um chamado à maturidade. Assim como a semente lançada na terra germina e busca sua maturação, assim também o Evangelho em nós, quando acolhido, tende a desenvolver-se e a crescer a modo de Reino em nossa vida para ser colhido por Deus e por nós no final. Outra constatação importante é que a semente do Reino, quando encontra terra fértil, por menor que seja, produz grandes coisas! Como não lembrar do Cura D'Ars que considerado limitado intelectualmente no seminário se tornou o confessor da França; ou de Francisco, que acolhendo a irmã pobreza reformou a Igreja no seu tempo; ou de Madre Teresa, que sozinha e num país pagão recordou ao mundo o que é a caridade. Quantas pequenas sementes, quantas grandes realizações!

Esse pensamento me leva inevitavelmente a um exame de consciência... O que a semente do Evangelho está produzindo em mim? Na verdade a Palavra só precisa de terra boa, de coração disposto, para produzir através de nós e para nós o Reino de Deus. Eu me sinto sempre com esse incômodo bom, de ser interpelado pelo Evangelho diariamente em vista de me tornar melhor. E Você?

Procuramos um Reino de felicidade fora de nós, mas Deus se utilizou de nossos ouvidos para plantá-lo em nosso coração! Está dentro o que buscamos fora; dentro, mas querendo eclodir através das nossas obras!

Paz!

Como é importante recordar as maravilhas de Deus

O Bispo Fisher, nos recorda os prodígios divinos:
Do Comentário sobre os Salmos, de São João Fisher, bispo e mártir

(Ps.101: Opera Omnia, ed.1597,pp.1588-1589)          (Séc.XVI)

As maravilhas de Deus
Primeiramente, Deus, realizando muitos portentos e prodígios, libertou o povo de Israel
da escravidão do Egito. Deu-lhe passagem a pé enxuto através do mar Vermelho.
Sustentou-o com o pão vindo do céu, maná e codornizes. Da pedra duríssima fez jorrar
água abundante para os sedentos. Deu-lhe vitória sobre os inimigos que lhe moviam
guerra. Fez com que o Jordão, contrariando o seu ímpeto, retrocedesse por algum
tempo.Repartiu entre as tribos e as famílias a terra prometida. Concedeu-lhes tudo isto
com amor e generosidade. No entanto, ingratamente, aqueles homens esquecidos de
tudo, desleixando e mesmo repudiando o culto a Deus, não poucas vezes se
emaranharam no inominável crime da idolatria.

Depois, também a nós, quando ainda pagãos íamos atrás dos ídolos mudos, ao sabor de
nossas inclinações, ele nos cortou da oliveira selvagem da gentilidade e, quebrados os
ramos naturais, nos enxertou na verdadeira oliveira do povo judaico, tornando-nos
participantes da graça fecunda de sua raiz. Por fim, nem sequer poupou ao próprio
Filho, mas o entregou por todos nós como sacrifício e oblação de suave odor, a fim de
nos remir e de tornar puro e aceitável para si um povo.

Todos estes fatos, absolutamente certos, não são apenas provas de seu amor e de sua
generosidade para conosco, mas também acusações. Pois, ingratos, ou melhor,
ultrapassando todos os limites de ingratidão, nem damos atenção ao seu amor nem
reconhecemos a grandeza dos benefícios. Rejeitamos e temos por desprezível o liberal
doador de tão grandes bens. A imensa misericórdia que ele demonstrou incessantemente para com os pecadores não nos comove nem nos leva a adotar uma norma de vida conforme seu mandamento santo.

Tudo isto bem merece ser escrito para as gerações futuras, em perpétua memória. E
assim todos aqueles que no futuro receberem o nome de cristão, reconhecendo a infinita bondade de Deus para conosco, 
não deixem nunca de celebrá-lo com louvores divinos.